DE UM ÍCONE SINFÔNICO NA ERA MECÂNICA – OS TRENS
Lembro ter lido que Dvorák passava horas próximo à estação de Praga olhando para os trens, que, constantemente, chegavam e saiam. O compositor viveu a maior parte de sua vida no início do século XX, sendo enormemente atraído por estas máquinas, então o maior ícone da modernidade. As enormes locomotivas seduziam o compositor da sinfonia “O novo mundo” e, sem dúvida, inspirou-o densamente em diversas obras. Não foi o único, obviamente. Compreendemos que as locomotivas são objetos descomunais, que nos encantam e despertam para refletir sobre os mistérios do homem e sua ação no mundo. Ademais, o movimento, a cadência, as variações, os ritmos são motivos para exploração musical que inspiraram os grandes compositores. Os trens, esses ícones do mundo mecânico, são agora substituídos pela fonte maior de nossa época, os computadores;
1.Michael Daugherty, compositor americano contemporâneo: “Deus ex Machina”, Concerto para piano e orquestra, em três movimentos (I. Fast Forward; II. Train of Tears; III. Night Steam), no qual realiza uma leitura da história da participação da máquina a vapor nos EUA do século XIX. A obra é rica em melodias e dramaticidade. 2. A obra do suíco Honneger é, do mesmo modo, declaradamente por locomotivas: “Pacific 231”, de 1923; 3. Villa-Lobos: o conhecido “Trenzinho Caipira”, da Bachianas n°02; Renoir: início do filme “A besta humana”, de Jean Renoir (trecho do húngaro Joseph Kosma).
Michael Daugherty – « Deux ex Machine »:
Honneger – “Pacific 231”:
Villa-Lobos – Bachianas n°02, “Trenzinho Caipira”:
Renoir – « La bete humaine » (1938)