{"id":165,"date":"2010-09-26T12:59:38","date_gmt":"2010-09-26T12:59:38","guid":{"rendered":"http:\/\/maelstromlife.com\/?p=165"},"modified":"2025-09-07T02:00:07","modified_gmt":"2025-09-07T02:00:07","slug":"felicidades-e-puerilidades-no-mundo-contemporaneo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/maelstromlife.com\/en\/2010\/09\/26\/felicidades-e-puerilidades-no-mundo-contemporaneo\/","title":{"rendered":"Felicidade e puerilidade no mundo contempor\u00e2neo."},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/maelstromlife.com\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/consumismo.jpg\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"166\" data-permalink=\"https:\/\/maelstromlife.com\/en\/2010\/09\/26\/felicidades-e-puerilidades-no-mundo-contemporaneo\/consumismo\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/maelstromlife.com\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/consumismo.jpg?fit=223%2C300&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"223,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"consumismo\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/maelstromlife.com\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/consumismo.jpg?fit=223%2C300&amp;ssl=1\" class=\"alignleft size-full wp-image-166\" title=\"consumismo\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/maelstromlife.com\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/consumismo.jpg?resize=223%2C300\" alt=\"\" width=\"223\" height=\"300\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>FELICIDADE E PUERILIDADE NO MUNDO CONTEMPOR\u00c2NEO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ednei de Genaro<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Mestrando na UFSC (2008)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><em>\u201cUm homem n\u00e3o pode voltar a ser crian\u00e7a sem cair na puerilidade\u201d. Karl Marx.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Somos a civiliza\u00e7\u00e3o dos prazeres profanos, da vida baseada no consumismo e na busca insaci\u00e1vel de entretenimentos nos \u2018templos de divers\u00e3o\u2019 que a modernidade oferece. Tanto isso \u00e9 verdadeiro que a aus\u00eancia de maturidade e virtudes nos indiv\u00edduos adultos constitui um dos grandes problemas da vida p\u00fablica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O mundo contempor\u00e2neo \u00e9 uma m\u00e1quina de fazer consumir, de criar sup\u00e9rfluos e modismos. Houve, no s\u00e9culo XX, empreendimentos sociais de todos os tipos para que tal m\u00e1quina fosse administrada. N\u00e3o foi \u00e0 toa: criamos o culto do lazer capitalista e da eterna sedu\u00e7\u00e3o com o progresso. \u00c9 assim que \u2018gastamos\u2019 nosso tempo livre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Somos, por excel\u00eancia, a civiliza\u00e7\u00e3o da frui\u00e7\u00e3o material. Ficamos apavorados quando n\u00e3o temos aquilo que desejamos, pois somos colonizados por uma vertiginosa infinidade de objetos que \u2018precisamos\u2019 conquistar e desfrutar. A tecnologia \u00e9 nosso v\u00edcio e, cada vez mais, o nosso \u00fanico \u2018mundo\u2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A consequ\u00eancia disso se encontra na fugacidade e puerilidade com que os cidad\u00e3os se relacionam com objetos e com outras pessoas. O utilitarismo da vida ocidental cresceu junto ao \u2018American way of life\u2019. E, quando a vida coletiva se reduz a \u2018ambientes de neg\u00f3cios\u2019 e de divers\u00e3o, o mais terr\u00edvel talvez seja encontrar valores humanos massacrados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A civiliza\u00e7\u00e3o dos prazeres mundanos vive da fragilidade em agrupar indiv\u00edduos com valores de base \u00e9tica e de express\u00e3o pol\u00edtica. Bem sabemos: n\u00e3o estamos mais em uma \u00e9poca em que as rela\u00e7\u00f5es sociais se asseguram pela tradi\u00e7\u00e3o cultural, seja no n\u00edvel familiar ou civil. O nosso maior la\u00e7o \u2018a partir de cima\u2019 \u2013 o \u00e9tico-religioso crist\u00e3o \u2013 cai por terra, e a modernidade se revela pela fragilidade das identidades e pela perda de sentido das tradi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A mis\u00e9ria de esp\u00edrito dos indiv\u00edduos adultos resulta dessas fragilidades e perdas. O mundo \u00e9 cada vez mais o do \u2018gentleman\u2019 de exalta\u00e7\u00e3o ego\u00edsta da alma. Este \u00e9 o ser adulto destitu\u00eddo de questionamentos, de vida p\u00fablica: de busca espiritual profunda e de manifesta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Pessoa, enfim, que n\u00e3o satisfaz responsabilidades fundamentais, como a de servir de exemplo e de ber\u00e7o cultural para as gera\u00e7\u00f5es futuras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Vivemos, pois, um mundo cheio de personagens como Eucli\u00e3o \u2013 g\u00eanero libidinoso, mal-car\u00e1ter e fanfarr\u00e3o \u2013 da com\u00e9dia romana cl\u00e1ssica do escritor Plauto. O mundo se circunscreve \u00e0 ideia de felicidade \u2018vazia\u2019, dada por uma dimens\u00e3o de voli\u00e7\u00e3o irracional, t\u00e3o-somente. Eis o car\u00e1ter dos \u2018Eucli\u00f5es\u2019 da modernidade: h\u00e1 somente vontade de frui\u00e7\u00e3o mundana; caso contr\u00e1rio, vive-se imerso em ang\u00fastia!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A felicidade vazia \u00e9 como o sorriso do tolo, do ser insensato e inoportuno que toma a palavra para a fugacidade de seus v\u00edcios (de sua autodestrui\u00e7\u00e3o orgi\u00e1stica). O falar do tolo resume-se \u00e0 desesperada busca de prazeres com prazos de validade curtos. Quem n\u00e3o encontra, por exemplo, o discursar do tolo sobre as propriedades \u2018magn\u00edficas\u2019 do carro do ano?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A modernidade vive, assim, o drama da ampla destitui\u00e7\u00e3o da posi\u00e7\u00e3o de nobreza \u00e9tica, da contempla\u00e7\u00e3o profunda dos verdadeiros valores das coisas do mundo e do adulto digno, consciente e aberto ao di\u00e1logo. A nossa civiliza\u00e7\u00e3o dita \u2018do conhecimento\u2019 (de que tipo?) emerge de uma felicidade vazia, em que n\u00e3o h\u00e1 espectro algum para que se construa a vida pela uni\u00e3o da sabedoria de vida e da vontade, como fizeram os gregos. Temos um vasto mundo de objetos para entender, uma vida cheia de escolhas para fazer e uma \u2018civiliza\u00e7\u00e3o do conhecimento\u2019 para qualificar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Vasto mundo terreno \u00e9 o nosso. Vasto mundo mundano! Resolver os problemas sociais deste mundo \u00e9 complicado. Hoje, os limites da Cidade-Estado para ser um homem p\u00fablico n\u00e3o bastam. E n\u00e3o h\u00e1 dimens\u00e3o da vida e da fraternidade p\u00fablicas que n\u00e3o sejam complexas e fragmentadas. Para o homem moderno, compreender e ter uma vida pr\u00e1tica que una intelecto e vontade n\u00e3o \u00e9 tarefa f\u00e1cil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">F\u00e1cil tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 diagnosticar, nos tra\u00e7os maiores, a civiliza\u00e7\u00e3o em que vive o homem moderno. Contudo, coube a n\u00f3s falar sobre a puerilidade deste mundo nosso, quest\u00e3o muito saliente, que nos faz refletir sobre o quanto uma vida que contempla suas vontades \u00e9 necess\u00e1ria hoje. De tal modo, deixa-se manifesto a indig\u00eancia de (re)ler e (re)considerar palavras como, por exemplo, as do est\u00f3ico Marco Aur\u00e9lio:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>\u201cA vida humana tem dura\u00e7\u00e3o de um \u00e1timo; a subst\u00e2ncia, fluida; as sensa\u00e7\u00f5es, obscuras; a estrutura do corpo inteiro, corrupt\u00edvel; a alma, errante; a sorte, incerta; a fama, casual; em poucas palavras, aquilo que se refere ao corpo \u00e9 uma corrente que passa; aquilo que se refere \u00e0 alma, sonho e vaidade; a exist\u00eancia \u00e9 batalha e estadia em terra estrangeira; a gl\u00f3ria p\u00f3stuma, esquecimento. O que resta, portanto, que nos possa escoltar? \u00danica e somente, a Filosofia. E esta consiste em conservar incontaminado de qualquer insulto e dor; superior \u00e0 dor e ao prazer (&#8230;)\u201d<\/em>.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>FELICIDADE E PUERILIDADE NO MUNDO CONTEMPOR\u00c2NEO Ednei de Genaro Mestrando na UFSC (2008) \u201cUm homem n\u00e3o pode voltar a ser crian\u00e7a sem cair na puerilidade\u201d. Karl Marx. Somos a civiliza\u00e7\u00e3o dos prazeres profanos, da vida baseada no consumismo e na busca insaci\u00e1vel de entretenimentos nos \u2018templos de divers\u00e3o\u2019 que a modernidade oferece. 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