{"id":916,"date":"2012-10-27T12:31:10","date_gmt":"2012-10-27T12:31:10","guid":{"rendered":"http:\/\/maelstromlife.com\/?p=916"},"modified":"2024-03-29T12:52:03","modified_gmt":"2024-03-29T12:52:03","slug":"politizando-a-aceleracao-tecnologica-ritmos-de-individuacao-e-tecnocultura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/maelstromlife.com\/en\/2012\/10\/27\/politizando-a-aceleracao-tecnologica-ritmos-de-individuacao-e-tecnocultura\/","title":{"rendered":"POLITIZANDO A ACELERA\u00c7\u00c3O TECNOL\u00d3GICA:  ritmos de individua\u00e7\u00e3o e tecnocultura"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:left\" align=\"center\"><strong>POLITIZANDO A ACELERA\u00c7\u00c3O TECNOL\u00d3GICA:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:left\" align=\"center\"><strong>ritmos de individua\u00e7\u00e3o e tecnocultura<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><b>\u00a0<a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/maelstromlife.com\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/aceleracao.jpg\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"917\" data-permalink=\"https:\/\/maelstromlife.com\/en\/2012\/10\/27\/politizando-a-aceleracao-tecnologica-ritmos-de-individuacao-e-tecnocultura\/aceleracao\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/maelstromlife.com\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/aceleracao.jpg?fit=400%2C266&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"400,266\" data-comments-opened=\"1\" data-image-title=\"aceleracao\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/maelstromlife.com\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/aceleracao.jpg?fit=400%2C266&amp;ssl=1\" class=\"size-full wp-image-917 alignnone\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/maelstromlife.com\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/aceleracao.jpg?resize=400%2C266\" alt=\"aceleracao\" width=\"400\" height=\"266\" \/><\/a><\/b><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><b>1. DA NECESSIDADE DE HABITAR O TEMPO<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Seguindo uma demarca\u00e7\u00e3o corrente, com a ascens\u00e3o dos discursos \u201cp\u00f3s-modernos\u201d a quest\u00e3o do tempo se tornou central para o entendimento da cultura contempor\u00e2nea. Na obra \u201cA condi\u00e7\u00e3o p\u00f3s-moderna\u201d, Lyotard (1989) anunciava que uma das tarefas imprescind\u00edveis era compreender o \u201cestado da cultura\u201d. O desafio estava em entender como o <b>saber <\/b>cient\u00edfico mudava de estatuto e as sociedades altamente tecnol\u00f3gicas ingressavam na \u201ccultura p\u00f3s-moderna\u201d \u2013 no qual absorviam contextos m\u00faltiplos, perfilando individua\u00e7\u00f5es e formas culturais diversas. Para ele, a incid\u00eancia extraordin\u00e1ria de transforma\u00e7\u00f5es t\u00e9cnico-cient\u00edficas no saber \u2013 isto \u00e9, nos conhecimentos que transmitem ju\u00edzos de verdade, moral e est\u00e9tica \u2013 transformava o modo de investiga\u00e7\u00e3o, transmiss\u00e3o e experimenta\u00e7\u00e3o na cultura ocidental. A dissolu\u00e7\u00e3o das grandes narrativas ut\u00f3picas seria um dos grandes efeitos que n\u00e3o poderiam ser facilmente elucidados sem o entendimento das mudan\u00e7as t\u00e9cnico-cient\u00edficas.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Em meio a tal \u201cdissolu\u00e7\u00e3o\u201d, a quest\u00e3o do <b>habitar o tempo <\/b>contempor\u00e2neo (VAZ, 1997) passou a ser cada vez mais marcadamente uma quest\u00e3o \u00e9tico-pol\u00edtica, pois significou experimentar e suspeitar em demasia daquilo que fora concebido e legitimado como temporalidade imperativa na modernidade; a temporalidade das constantes mudan\u00e7as, revolu\u00e7\u00f5es, modas, rupturas de paradigmas \u2013 ou seja, da exponencial acelera\u00e7\u00e3o que movimenta o mundo t\u00e9cnico-humano (antropot\u00e9cnico).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">O tempo em \u201cmuta\u00e7\u00f5es\u201d \u00e9, pois, um dos tra\u00e7os problem\u00e1ticos fundantes do modo de ser contempor\u00e2neo. Em rela\u00e7\u00e3o a isso, a maioria dos pensadores neo-modernos ou p\u00f3s-modernos, erigidos a partir da d\u00e9cada de 1970, parecem n\u00e3o dar respostas satisfat\u00f3rias para compreender profundamente e propor posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas produtiva para a situa\u00e7\u00e3o intrusiva e incessantemente mutativa das tecnologias. De forma sucinta, diga-se, o limite de um \u201cneo-moderno\u201d como Habermas \u00e9 consequ\u00eancia de sua proposi\u00e7\u00e3o que acabou cindindo o pensamento pol\u00edtico com o tecnol\u00f3gico. Na formula\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica-pragm\u00e1tica de uma divis\u00e3o entre racionalidade t\u00e9cnica e racionalidade comunicativa, Habermas entende que somente valorizando o iluminismo \u00e9tico da a\u00e7\u00e3o comunicativa resolver\u00edamos os problemas da a\u00e7\u00e3o instrumental. Em \u00faltima inst\u00e2ncia, dispensou-o de pensar radicalmente a participa\u00e7\u00e3o da t\u00e9cnica na transforma\u00e7\u00e3o da vida humana, pensando-a apenas como fun\u00e7\u00e3o causal e neutra (STIEGLER, 1994; FEENBERG, 1996). Por sua vez, as cr\u00edticas de autores p\u00f3s-modernos, como Virilio, Baudrillard, foram pioneiras em notar as quest\u00f5es radicais que a <b>t\u00e9cnica<\/b><i> <\/i>colocava em v\u00e1rios campos, assim como em identificar os embara\u00e7os da modernidade com a vida simb\u00f3lica, isto \u00e9, das m\u00faltiplas vozes se desentendendo sob um mundo em muta\u00e7\u00f5es cont\u00ednuas<a title=\"\" href=\"\/Users\/Dini\/Desktop\/Artigo%20-%20colocar%20Maelstromlife.docx#_ftn1\">[1]<\/a>. Identificou-se a viol\u00eancia com que as tecnoci\u00eancias atingem as m\u00eddias, cogni\u00e7\u00e3o, massas etc. No entanto, ao criticarem o tempo acelerado da modernidade, os diagn\u00f3sticos p\u00f3s-modernos permaneram circunscritos a uma esp\u00e9cie de agonia e paralisia niilista ou pessimista dos sintomas originados (Latour, 1994).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\u00c9 preciso ultrapassar o humanismo ing\u00eanuo dos modernos e o niilismo\/pessimismo dos p\u00f3s-modernos. Isto n\u00e3o significa \u201cabandon\u00e1-los\u201d. Pelo contr\u00e1rio, \u00e9 preciso seguir pensando a partir deles, superando as insufici\u00eancias e limites que se mostram hoje. Diante deste contexto, constitu\u00edmos um ensaio que procura tamb\u00e9m questionar a dimens\u00e3o do \u201cesp\u00edrito de performatividade generalizado\u201d (Lyotard, <i>idem<\/i>) da temporalidade contempor\u00e2nea. Todavia, atentamos para duas interroga\u00e7\u00f5es de fundo: o que decide a moralidade e pol\u00edtica contempor\u00e2nea de <b>habitar o tempo<\/b> perante as aceleradas individua\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas (e humanas)? E, por fim, de que modo podemos discursar sobre isto sem cairmos em um mero diagn\u00f3stico de um humanista ing\u00eanuo ou pessimista\/niilista, predominante no s\u00e9culo XX?<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><b>2. S\u00c9CULO XX: A <i>ANG\u00daSTIA<\/i> DO HOMEM COM A T\u00c9CNICA MODERNA<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">As moderniza\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas foram sempre carregadas de ang\u00fastias \u00e9ticas e pol\u00edticas. No in\u00edcio do s\u00e9culo XX, interroga\u00e7\u00f5es como as do personagem Matias Pascal, no livro \u201cO Finado Matias Pascal\u201d, de Pirandello (1970, p. 151), mostra-nos toda uma perplexidade predominante:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;padding-left:30px\">&#8211; Oh, por que os homens \u2013 perguntava a mim mesmo, ansiosamente \u2013 se esfor\u00e7am tanto por tornar cada vez mais complicado o funcionamento das suas vidas? Por que todo este aturdimento de m\u00e1quinas? E que far\u00e1 o homem quando as m\u00e1quinas fizerem tudo? Perceber\u00e1 ent\u00e3o que o assim chamado progresso nada tem a ver com a felicidade? Diante de t\u00f4das as inven\u00e7\u00f5es com que a ci\u00eancia quer honestamente enriquecer a humanidade (e a empobrece, pois custam t\u00e3o caro), que alegria experimentamos, mesmo se as admiramos?\u2019 (&#8230;) E, no entanto, a ci\u00eancia tem a ilus\u00e3o de tornar mais f\u00e1cil e mais c\u00f4moda a exist\u00eancia! Mesmo admitindo que a torne realmente mais f\u00e1cil, com t\u00f4das as suas m\u00e1quinas t\u00e3o dif\u00edceis e complicadas (&#8230;).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Na vis\u00e3o predominante do s\u00e9culo XX, as tecnologias amea\u00e7avam \u2018enclausurar\u2019 o tempo da vida humana. Marcadamente, adapta\u00e7\u00f5es f\u00edlmicas ou os pr\u00f3prios livros \u2013 como em \u201cAphaville\u201d, de J.L. Godard ou o \u201c1984\u201d, de G. Orwell \u2013, foram representativos por expressarem um mundo no qual o futuro seria dominado por regimes tecno-totalit\u00e1rios. Nestas obras a vida \u00e9 policiada por meio de aparelhos tecnol\u00f3gicos. Em ambos o cotidiano \u00e9 reprimido por um universo tecnol\u00f3gico em que todos se adaptam a uma m\u00e1quina planificadora da cidade e da vida \u00edntima. O objetivo \u00faltimo deste cen\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 outro: a tentativa de aboli\u00e7\u00e3o do passado, presente e futuro dos indiv\u00edduos, isto \u00e9, do devir humano, uma vez que a vida segue por uma eterna ordem \u00fanica, a do c\u00e1lculo probabil\u00edstico da m\u00e1quina.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">O s\u00e9culo XX proliferou demasiadamente este cen\u00e1rio dif\u00edcil ao devir humano. Os cr\u00edticos humanistas se opunham \u00e0s maquina\u00e7\u00f5es da vida, que estaria ferindo a possibilidade dos indiv\u00edduos constitu\u00edrem um devir \u201caberto\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Em uma \u00e9poca de intensa industrializa\u00e7\u00e3o, as quest\u00f5es referentes \u00e0 acelera\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica emergiram em meio a um temor tecnof\u00f3bico, de cis\u00e3o entre duas racionalidades, a do homem e a da t\u00e9cnica. Ora, a tradi\u00e7\u00e3o da Teoria Cr\u00edtica erguida por Theodor Adorno n\u00e3o foi a que mais e melhor escreveu sobre o ambiente em que o tempo da vida era gerido por uma raz\u00e3o instrumental que maquinava <b>volitivamente <\/b>os indiv\u00edduos, assolava a cultura e assentava o pensamento em aporias angustiantes?<a title=\"\" href=\"\/Users\/Dini\/Desktop\/Artigo%20-%20colocar%20Maelstromlife.docx#_ftn2\">[2]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">As transforma\u00e7\u00f5es operadas a partir da segunda metade do s\u00e9culo passado demarcaram uma nova fase na aglutina\u00e7\u00e3o da t\u00e9cnica e da ci\u00eancia \u2013 a tecnoci\u00eancia \u2013 e, por conseguinte, a manifesta\u00e7\u00e3o de uma <b>virada cibern\u00e9tica<\/b> (LAYMERT, 2003), momento em que Simondon nota (sem ser quase notado) o substrato comum em que se traduz a mat\u00e9ria inerte, ao ser vivo e ao objeto t\u00e9cnico, por meio da <b>informa\u00e7\u00e3o<\/b>. Neste momento, os campos da gen\u00e9tica, neurologia, engenharias rob\u00f3ticas, das m\u00eddias anal\u00f3gicas e digitais crescem e a aten\u00e7\u00e3o \u00e0 tecnicidade torna-se imprescind\u00edvel para compreender a hipertelia da vida humana, isto \u00e9, a composi\u00e7\u00e3o de seu universo cognitivo e pr\u00e1tico.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">As temporalidades e simboliza\u00e7\u00f5es das sociedades civis ocidentais ganhavam assim outros rumos com a introdu\u00e7\u00e3o de novas tecnologias da informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o \u2013 do computador, do cabo de fibra \u00f3ptica, do sat\u00e9lite, r\u00e1dio, televis\u00e3o, celular, internet, das redes de vigil\u00e2ncias, infovias, dispositivos m\u00f3veis, m\u00e1quinas industriais. Novas rotinas e ambientes possibilitaram a forma\u00e7\u00e3o de diversas novas tecno-culturas: dos transportes, dos shoppings, dos laborat\u00f3rios, dos multim\u00eddias, da \u201cvida 24 horas\u201d, das comunica\u00e7\u00f5es instant\u00e2neas e virtuais.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Os intensos aumentos dos agenciamentos sociot\u00e9cnicos radicalizaram os discursos de impasse e cis\u00e3o entre o desenvolvimento do homem e da t\u00e9cnica. Os argumentos cient\u00edficos da sociologia e outras \u00e1reas apontaram a forma\u00e7\u00e3o da tecnocracia e da aliena\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-econ\u00f4mica do trabalhador na f\u00e1brica. N\u00e3o obstante, a literatura se estendeu para a filos\u00f3fica, ressaltando a ang\u00fastia e involu\u00e7\u00e3o ao homem moderno que o desenvolvimento tecnol\u00f3gico representava<a title=\"\" href=\"\/Users\/Dini\/Desktop\/Artigo%20-%20colocar%20Maelstromlife.docx#_ftn3\">[3]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">A identifica\u00e7\u00e3o da <b>incomensurabilidade<\/b> do di\u00e1logo entre os seres humanos e n\u00e3o-humanos torna, ao mesmo tempo, o ponto forte e fraco dos diagn\u00f3sticos p\u00f3s-modernos do final do s\u00e9culo XX. Ora, o problema esteve em permanecer presos a um antropocentrismo que antagonizou as temporalidades humanas e t\u00e9cnicas.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Custa entender que esta atitude intelectual \u2013 ainda predominante em muitos discursos \u2013 n\u00e3o poderia nos ajudar a analisar hoje o que vem a ser indiv\u00edduo e a sociedade em rela\u00e7\u00f5es imanentes com as atuais <b>exterioriza\u00e7\u00f5es da mem\u00f3ria<\/b>, isto \u00e9, com as tecnologias (STIEGLER, 1994). A temporalidade da vida \u2013 que absorve as acelera\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas \u2013 deve ser analisada por outro caminho. A tarefa \u00e9 menos de olhar para a separa\u00e7\u00e3o entre humanos e n\u00e3o-humanos do que notar as diferentes individua\u00e7\u00f5es, media\u00e7\u00f5es e problemas que ocorrem entre os termos no capitalismo contempor\u00e2neo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><b>3. CONTEMPOR\u00c2NEO: TEMPORALIDADES E TRANSINDIVIDUA\u00c7\u00d5ES<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">H\u00e1 hoje um importante horizonte de estudo das materialidades, medialidades e temporalidades, como lembra Fellinto (2011). Para n\u00f3s, a problem\u00e1tica da temporalidade, e, por conseguinte da materialidade e medialidades, provocada pela <b>acelera\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica<\/b> pode ser discutida a partir de dois autores fundamentais: Martin Heidegger e Gilbert Simondon. Relidos criticamente hoje, eles podem ser marcos para alcan\u00e7ar um outro discurso em rela\u00e7\u00e3o ao problema.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Heidegger mostrou que a anal\u00edtica existencial do <b>Ser <\/b>no mundo desvela a condi\u00e7\u00e3o humana. Em qualquer \u00e9poca, o ser humano se insere em experi\u00eancias individuais e coletivas de modalidade temporal. A forma com que Ser se insere no tempo \u00e9 circunscrita pelo modo de <b>manusear <\/b>a instrumentalidade do mundo. Sua obra inicial, \u201cSer e Tempo\u201d (HEIDEGGER, 2005), revelou assim uma fenomenologia da instrumentalidade no qual pensava a ess\u00eancia do humano, situando-o de modo historial. O ser-no-mundo perfaz inescapavelmente um modo de ocupa\u00e7\u00e3o (<i>Besorgen<\/i>). Esta \u00e9 a sua forma fundamental para apreender a realidade, uma vez que somente pelo manusear dos objetos, dos entes intramundanos, que o homem pode pensar a dimens\u00e3o ontol\u00f3gica do <i>Dasein<\/i> (ser-a\u00ed).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">A anal\u00edtica existencial de Heidegger trouxe saldos bastante positivos para se pensar a t\u00e9cnica e a temporalidade nela embutida. De acordo com certa interpreta\u00e7\u00e3o, ao perceber a rela\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca do ser com o mundo, Heidegger escapa do modo de pensar que separa o transcendental do emp\u00edrico. \u00c9 no modo de ocupa\u00e7\u00e3o do ser-no-mundo com os objetos que se pode falar de um <b>conhecer<\/b>. Evita-se, pois, de estancar o processo de conhecer em uma metaf\u00edsica e epistemologia que tinha suas ra\u00edzes mais fortes em Kant (na metaf\u00edsica da representa\u00e7\u00e3o que separa sujeito e objeto); assim como se abre para aquilo que mais tarde nos escritos de Heidegger ficar\u00e1 expl\u00edcito: os objetos t\u00e9cnicos depositam uma anota\u00e7\u00e3o intratemporal da <b>cardinalidade<\/b> e <b>calendaridade <\/b>ao <i>Ser<\/i>, como um processo de determina\u00e7\u00e3o, de medi\u00e7\u00e3o do tempo e, de tal modo, da coloca\u00e7\u00e3o de uma \u2018concep\u00e7\u00e3o vulgar do tempo\u2019.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Heidegger, conforme interpreta Stiegler (1994; 2001), ir\u00e1 permanecer contudo amb\u00edguo em rela\u00e7\u00e3o ao car\u00e1ter da t\u00e9cnica, assinalando-a entre uma possibilidade e um obst\u00e1culo para o pensar. De tal modo, apesar de ter unido o transcendental com a mundanidade emp\u00edrica, Heidegger pensar\u00e1, em \u00faltima inst\u00e2ncia, na inst\u00e2ncia origin\u00e1ria que separa o <i>Ser<\/i> da vida mundana: a busca ontol\u00f3gica do tempo pr\u00f3prio do Ser guardaria um enigma, meditativo, incalcul\u00e1vel, origin\u00e1rio que o desvencilharia da <b>ocupa\u00e7\u00e3o <\/b>com os objetos. Assim, o car\u00e1ter \u201cvulgar\u201d, inaut\u00eantico, que a temporalidade da t\u00e9cnica moderna apresenta, se tornar\u00e1 indicativo de um mundo calcul\u00e1vel, no qual haver\u00e1, por fim, uma dimens\u00e3o intransigente e inconcili\u00e1vel da t\u00e9cnica moderna (<i>Gestell<\/i>), como um perigo para o ser do homem<a title=\"\" href=\"\/Users\/Dini\/Desktop\/Artigo%20-%20colocar%20Maelstromlife.docx#_ftn4\">[4]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Enquanto Heidegger havia, original e magistralmente, identificado a rela\u00e7\u00e3o temporal t\u00eanue do <b>ser t\u00e9cnico<\/b> e do <b>ser do homem<\/b>, que nos levou a entender de outro modo o humanismo. Contudo, \u00e9 a abordagem filos\u00f3fica de G. Simondon que nos d\u00e1 a possibilidade de evitar pensar a tecnologia e a subjetividade em termos de uma oposi\u00e7\u00e3o \u00faltima, sem nos deixar ainda em um pessimismo que paralisa a proposi\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica produtiva.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Se Heidegger havia pensado que a dimens\u00e3o temporal era o verdadeiro princ\u00edpio da individua\u00e7\u00e3o, Simondon afirmar\u00e1 que h\u00e1 somente <b>processos<\/b> de individua\u00e7\u00e3o, descartando a ideia de identifica\u00e7\u00e3o de um princ\u00edpio. A busca ontol\u00f3gica de Simondon \u00e9 de cunho geneal\u00f3gico. N\u00e3o h\u00e1 um ponto de origem. O conhecimento n\u00e3o vem da abstra\u00e7\u00e3o <i>para a<\/i> sensa\u00e7\u00e3o. Na imprescind\u00edvel atitude de tamb\u00e9m unir o transcendental e o emp\u00edrico, Simondon qualifica que o <i>a priori<\/i> e o <i>a posteriori<\/i> est\u00e3o sempre no conhecimento, sob o efeito de cont\u00ednuas trocas de <b>informa\u00e7\u00e3o<\/b><i> <\/i>(forma e mat\u00e9ria nunca se encontram conclu\u00eddo no mundo e identificadas por uma metaf\u00edsica).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">A constru\u00e7\u00e3o dos seres, t\u00e9cnicos e humanos, \u00e9 explicada a partir do universo trans-individua\u00e7\u00f5es (de tens\u00f5es, problemas e trocas de energias). Simondon exp\u00f5e sobre como o \u201cmodo de exist\u00eancia dos objetos t\u00e9cnicos\u201d apreende e problematiza a individua\u00e7\u00e3o humana, criticando as abordagens autocr\u00e1ticas ou antropoc\u00eantricas. Na rotina de transdu\u00e7\u00f5es cibern\u00e9ticas n\u00e3o h\u00e1 <i>a priori<\/i> dominante de nenhuma das partes. Diferentes planos de individua\u00e7\u00e3o \u2013 ps\u00edquico, biol\u00f3gico, tecnol\u00f3gico, coletivo \u2013 entram em processos de acoplamentos, simultaneidades, sucessividades. A resolu\u00e7\u00e3o que qualifica os planos \u00e9 dada pela ordem das intensidades, de pot\u00eancias \u2013 poss\u00edveis de serem identificadas nos momentos de equil\u00edbrios meta-est\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">H\u00e1 pois uma conting\u00eancia que caracteriza a <b>tecnocultura<\/b>. No momento da \u2018virada cibern\u00e9tica\u2019, o devir aberto das individua\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas e coletivas permanece sob a vig\u00eancia de um intenso processo de concretiza\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gicas \u2013 isto \u00e9, de simbioses que agregaram as partes t\u00e9cnicas e formaram a <b>m\u00e1quina<\/b>. A m\u00e1quina \u00e9 um agenciamento de ritmos; uma deposita\u00e7\u00e3o dos gestos humanos. A m\u00e1quina se concretiza no mundo para obter um resultado e, consequentemente, se expressa como uma \u201cexterioriza\u00e7\u00e3o cultural\u201d, que cria novas temporalidades. Contudo, ela n\u00e3o \u00e9 auto-suficiente ou finalizada, pois sempre se encontra em um <b>meio-associado<\/b>, em que os seres se alimentam e modificam<a title=\"\" href=\"\/Users\/Dini\/Desktop\/Artigo%20-%20colocar%20Maelstromlife.docx#_ftn5\">[5]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Ao explicar o universo de trans-individua\u00e7\u00f5es, Simondon lan\u00e7a ent\u00e3o um direcionamento importante para pensar a \u201caliena\u00e7\u00e3o\u201d contempor\u00e2nea com a tecnologia. N\u00e3o apenas na dimens\u00e3o pol\u00edtico-econ\u00f4mica, como bem explicou Marx, a quest\u00e3o problem\u00e1tica central est\u00e1 no mau conhecimento, na \u201cfalta de consci\u00eancia\u201d e \u201ceduca\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica\u201d para lidar com a materialidade do mundo<a title=\"\" href=\"\/Users\/Dini\/Desktop\/Artigo%20-%20colocar%20Maelstromlife.docx#_ftn6\">[6]<\/a>. Para Simondon, de nada adianta um ambiente de inova\u00e7\u00f5es cont\u00ednuas e aceleradas sem que as individua\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas e coletivas no mesmo ambiente n\u00e3o acompanhem as inova\u00e7\u00f5es das individua\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas (SIMONDON, 1989).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Se Heidegger quis resistir, na solid\u00e3o do <i>Dasein<\/i>, \u00e0 problem\u00e1tica cibern\u00e9tica; Simondon ir\u00e1 colocar\u00e1 o ser humano dentro do intenso universo de <b>entropias<\/b> e <b>neguentropias<\/b><a title=\"\" href=\"\/Users\/Dini\/Desktop\/Artigo%20-%20colocar%20Maelstromlife.docx#_ftn7\"><i><b>[7]<\/b><\/i><\/a> que caracteriza os agenciamentos s\u00f3cio-t\u00e9cnicos. No momento em que as tecnologias est\u00e3o modificando as no\u00e7\u00f5es de consci\u00eancia, percep\u00e7\u00f5es e a\u00e7\u00f5es dos seres humanos, isto nos parece crucial para pensar o <b>habitar o tempo<\/b>.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">N\u00e3o obstante, Simondon transformar\u00e1 a quest\u00e3o da <b>ang\u00fastia<\/b> humana como uma propriedade que guarda uma experi\u00eancia dolorosa e positiva: na qual a tens\u00e3o entre o ser pr\u00e9-individual e o ser individuado se encontra em processo. Nesta experi\u00eancia, o sujeito se sente incapaz de se refugiar em sua pr\u00f3pria individualidade ou interioridade. Ao contr\u00e1rio disso: \u00e9 a experi\u00eancia de transindividua\u00e7\u00e3o para o sujeito em distens\u00e3o, dilata\u00e7\u00e3o, metamorfose. A ang\u00fastia, escreveu Simondon, \u00e9 o \u201cdespedir-se do ser\u201d [<i>d\u00e9part de l\u2019\u00eatre<\/i>]:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;padding-left:30px\">A ang\u00fastia n\u00e3o pode ser identificada nem como sentimento nem como emo\u00e7\u00e3o apenas; (&#8230;) o sujeito, sob a ang\u00fastia, sente-se ser sujeito na medida em que ele \u00e9 negado; ele carrega em si-mesmo sua exist\u00eancia, est\u00e1 carregado de sua exist\u00eancia como se devesse portar em si mesmo sua exist\u00eancia; fardo da terra, como disse Homero, mas fardo de si mesmo, antes de tudo, porque o ser individuado, no lugar de poder encontrar a solu\u00e7\u00e3o do problema das percep\u00e7\u00f5es e do problema da afetividade, sente-se refluir nele todos os problemas; sob a ang\u00fastia, o sujeito se sente existir como problema colocado em si mesmo, e sente sua divis\u00e3o em natureza pr\u00e9-individual e em ser individuado; (&#8230;) o sujeito toma consci\u00eancia de si como natureza, como indeterminado que jamais poder\u00e1 se atualizar <i>hic et nunc<\/i>, que jamais poder\u00e1 viver; a ang\u00fastia \u00e9 um termo oposto ao movimento no qual um se refugia na sua individualidade; (&#8230;) na ang\u00fastia o ser \u00e9 como seu pr\u00f3prio objeto, mas um objeto t\u00e3o importante como si mesmo; se poderia dizer que o ser se torna objeto e assiste a seu pr\u00f3prio despreendimento segundo dimens\u00f5es que n\u00e3o pode assumir. O sujeito torna-se mundo (&#8230;). O sujeito se dilata dolorosamente perdendo sua interioridade; est\u00e1 aqui e em outra parte, separado do aqui por um mais al\u00e9m universal; ele assume todo espa\u00e7o e todo tempo, tornando-se coextensivo ao ser, se espacializa, se temporaliza, tornando mundo desequilibrado [<i>incoordonn\u00e9<\/i>] (SIMONDON, 1989, p. 111-2, tradu\u00e7\u00e3o nossa).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><b>4. COMPREENDENDO E POLITIZANDO A ACELERA\u00c7\u00c3O TECNOL\u00d3GICA<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">A linha de pensamento de Stiegler nos coloca em uma conex\u00e3o positiva entre os pensamentos de Heidegger e Simondon. Em um sentido amplo, a t\u00e9cnica n\u00e3o \u00e9 propriamente o tempo, mas algo que o constitui (STIEGLER, 2001; 2004). Os homens n\u00e3o podem existir sem as reten\u00e7\u00f5es materiais de gestos, afetos e percep\u00e7\u00f5es, no qual atribui uma <b>dura\u00e7\u00e3o<\/b> pr\u00f3pria aos homens no mundo. Poder\u00edamos dizer que o <b>tempo da vida<\/b> humana \u00e9 expresso pelo tempo das individua\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas e coletivas no mundo; enquanto que o <b>tempo do mundo<\/b> inscreveria a inst\u00e2ncia temporal da individua\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, isto \u00e9, das reten\u00e7\u00f5es materiais que exteriorizam a mem\u00f3ria humana<a title=\"\" href=\"\/Users\/Dini\/Desktop\/Artigo%20-%20colocar%20Maelstromlife.docx#_ftn8\">[8]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Torna-se decisivo notar que universos pr\u00f3prios de indiv\u00eddua\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas e coletivas no mundo \u2013 nascer, crescer, amadurecer, morrer; dialogar, trabalhar, festejar, ler \u2013 est\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o inescap\u00e1vel com os universos da individua\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica. O \u201ceu\u201d \u00e9 um \u201cn\u00f3s\u201d, e este n\u00f3s n\u00e3o pode se formar sem mediar-se com as materialidades. Ora, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel individua\u00e7\u00e3o sem esse agenciamento pela l\u00f3gica da suplementariedade t\u00e9cnica. Em \u00faltima inst\u00e2ncia, a t\u00e9cnica constitui uma temporalidade na medida em que \u00e9 um <b>processo de exterioriza\u00e7\u00e3o<\/b> da cultura. Ela <b>fixa<\/b> os nossos gestos, pr\u00e1ticas, pensamentos e possibilita a mem\u00f3ria artificial que \u00e9 crucial para o homem criar e evoluir sua cultura. Os homens acumulam experi\u00eancias por meio dos objetos t\u00e9cnicos. A evolu\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica participa da forma\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos. E, de tal forma, a t\u00e9cnica \u00e9 a mem\u00f3ria humana que garante a prolonga\u00e7\u00e3o da vida por outros meios que n\u00e3o a vida humana mesma (STIEGLER, 1994).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Pensar <b>materialidade<\/b> \u00e9, pois, condi\u00e7\u00e3o para se poder pensar o <b>esp\u00edrito<\/b>. Longe de um antagonismo, associar mat\u00e9ria e esp\u00edrito na atual ecologia industrial perfaz refletir e politizar os gestos, afetos e percep\u00e7\u00f5es dos sujeitos. Como havia explicitado Foucault, uma vida n\u00e3o pode bem constituir-se sem politizar o uso dos <b>dispositivos<\/b> (<i>hypomnenatas<\/i>) que a levaria ao cuidado de si.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\u00c9 preciso n\u00e3o somente atribuir uma \u201chist\u00f3ria do ser\u201d (Heidegger) ou \u201contog\u00eanese\u201d dos indiv\u00edduos (Simondon), mas questionar por conseguinte os processos de individua\u00e7\u00e3o ou (des)individua\u00e7\u00e3o que qualificam a tecnocultura contempor\u00e2nea (STIEGLER, 1993). Importa assim entender e politizar a forma que se d\u00e1 hoje um \u201cdesacoplamento\u201d entre os universos de individua\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e humana no contexto do capitalismo contempor\u00e2neo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Na <i>\u00e9pokh\u00e8<\/i> tecnol\u00f3gica atualmente em curso, os ritmos de individua\u00e7\u00e3o se encontram des-estabilizados. Como atribuir um plano de consist\u00eancia para individua\u00e7\u00e3o humana em um momento em que o universo de individua\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica se encontra evoluindo mais rapidamente do que a individua\u00e7\u00e3o ps\u00edquica e coletiva? Acredito que esta \u00e9 verdadeiramente uma quest\u00e3o pol\u00edtica contempor\u00e2nea, uma vez que \u2013 como estamos argumentando \u2013 compreender as materialidades pode ser um modo essencial para compreender como se organiza nossos gestos, afetos e percep\u00e7\u00f5es (na economia, ci\u00eancia, artes, institui\u00e7\u00f5es etc.).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Que tipo de \u201cdesajustes\u201d e \u201ccurto-circuitos\u201d nos sistemas sociais (do direito, economia, educa\u00e7\u00e3o, religi\u00e3o, representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica etc.) as empresas de redes digitais, softwares, as ind\u00fastrias de consumo e entretenimento s\u00e3o capazes de provocar com seus milhares de novos produtos, est\u00edmulos e mudan\u00e7as simb\u00f3licas anualmente? Ora, as log\u00edsticas inform\u00e1ticas, as transmiss\u00f5es telecomunicacionais, os ordenamentos simb\u00f3licos audiovisuais \u2013 em uma situa\u00e7\u00e3o de <b>industrializa\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria<\/b> sob o dom\u00ednio do marketing capitalista \u2013, perfaz as rotinas de captura do indiv\u00edduo aos processos de excesso, fugacidade e consumo. O problema pol\u00edtico encontra-se, pois, fundamentalmente na <b>centraliza\u00e7\u00e3o<\/b> dos grandes modeladores do capitalismo, cujas estrat\u00e9gias s\u00e3o preenchidas por processos de <i>des<\/i>-individua\u00e7\u00f5es, ou seja, de <b>proletariza\u00e7\u00e3o<\/b><i>. <\/i>A des-individua\u00e7\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de proletariza\u00e7\u00e3o. Ora, as voli\u00e7\u00f5es das popula\u00e7\u00f5es ao mart\u00edrio contempor\u00e2neo da \u201cmobiliza\u00e7\u00e3o infinita\u201d (termo emprestado de Peter Sloterdjik) atualizam uma ind\u00fastria<i> <\/i>cultural em tempos digitais, na qual criam os \u201cinfo-marketing\u201d, os \u201cneuro-marketing\u201d que almejam tornar as popula\u00e7\u00f5es submissas aos h\u00e1bitos consumistas \u2013 a come\u00e7ar pelos de <i>gadgets <\/i>tecnol\u00f3gicos. Ainda hoje, em tempos de Web 2.0, a persistente inova\u00e7\u00e3o e sistematiza\u00e7\u00e3o das \u201cind\u00fastrias de programas\u201d (televis\u00e3o, r\u00e1dio, cinema) hegem\u00f4nicas buscam atualizar, por todos os lados, uma temporalidade marcada pela era de \u201csincroniza\u00e7\u00e3o das consci\u00eancias\u201d, o que explica o funcionamento macro da globaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">O problema \u00e9 pertinente e pol\u00edtico. A \u201curg\u00eancia\u201d se transforma em imperativo cultural e se concretiza em <b>adiantamentos <\/b>de c\u00f3digos, imagens, senhas, banco de dados, premissas, regulamentos, normatiza\u00e7\u00f5es, computa\u00e7\u00f5es. O sentimento de \u201cderiva\u201d constante em meio \u00e0s materialidades deixa as individua\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas e coletivas incapacitadas de absorverem o ritmo das individua\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas. A acelera\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica se reflete assim em um estado de desorienta\u00e7\u00e3o coletiva e \u201cstress\u201d cognitivo. Segue-se ent\u00e3o uma des-individua\u00e7\u00e3o que \u201ccurto-circuita\u201d a cultura contempor\u00e2nea desencadeia nas pessoas a perda do <b>saber-fazer<\/b> e do <b>saber-viver<\/b>. Neste contexto, os indiv\u00edduos \u201cse ajustam\u201d inconscientemente a temporalidade dos dispositivos que capta e vende o tempo das consci\u00eancias dos indiv\u00edduos \u2013 subvertendo assim a individua\u00e7\u00e3o que constituiria sua singularidade e temporalidade pr\u00f3prias. Encampa-se enfim uma experi\u00eancia de deprecia\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica da individua\u00e7\u00e3o ps\u00edquica e coletiva (STIEGLER, 2004).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><b>Habitar o tempo<\/b> torna-se uma grande quest\u00e3o pol\u00edtica. A cultura contempor\u00e2nea n\u00e3o pode ficar sob a ins\u00edgnia dos problemas de delibera\u00e7\u00e3o, (des)aten\u00e7\u00e3o e hipnose coletiva com a \u201ccultura material\u201d. Decerto que nunca antes na hist\u00f3ria houve um cen\u00e1rio de tantas transforma\u00e7\u00f5es cont\u00ednuas e, no entanto, nunca fomos t\u00e3o incapazes de edificar o devir ps\u00edquico e coletivo. Eis acima um paradoxo: o mundo humano mobiliza um desenfreado cen\u00e1rio de mudan\u00e7as, imagin\u00e1rios e experi\u00eancias de individua\u00e7\u00f5es t\u00e9cnica; mas, ao mesmo tempo, elas n\u00e3o definem valores e tornam-se ausentes, passivos, \u00e0s mudan\u00e7as, aos rumos hist\u00f3ricos e aos problemas enfrentados pelas individua\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas e coletivas. A grande mobiliza\u00e7\u00e3o do capitalismo \u00e9, portanto, de renuncia ao \u201ctempo da vida\u201d e de engendramento e apoderamento cada vez maior do \u201ctempo do mundo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Seria preciso definir o horizonte de uma \u201cpol\u00edtica industrial das tecnologias do esp\u00edrito\u201d (STIEGLER, 2010) para combater a problem\u00e1tica da temporalidade que envolve a tecnocultura contempor\u00e2nea. Isto nos leva a pensar na import\u00e2ncia de se definir novas gramatiza\u00e7\u00f5es (novos conte\u00fados temporais e discretiza\u00e7\u00f5es espaciais) contra a mis\u00e9ria simb\u00f3lica atual. O caminho \u00e9 criar novas proposi\u00e7\u00f5es de \u201cecologias industriais\u201d \u2013 possibilitadas hoje pelas formas reticulares de comunica\u00e7\u00e3o e de economia contributiva com as m\u00eddias digitais. A guerra \u00e9 contra a desmotiva\u00e7\u00e3o e proletariza\u00e7\u00e3o em tempos digitais \u2013 que atam os gestos, os afetos, as percep\u00e7\u00f5es ao mundo acelera\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea. A luta parece ser pela re-apoderamento dos instrumentos; torna-se verdadeiramente m\u00eddia, e constituir uma nova <b>res-publica<\/b>: um novo espa\u00e7o de pro-tens\u00f5es para o espa\u00e7o p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><b>REFER\u00caNCIAS:<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">FEENBERG, Andrew, Marcuse or Habermas: Two Critiques of Technology. In: <b>Inquiry<\/b>, n\u00b039, 1996, p.45-70.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">FELLINTO, Erik, Cibercultura: ascens\u00e3o e decl\u00ednio de uma palavra quase m\u00e1gica. In: <b>Revista E-Comp\u00f3s<\/b>, Bras\u00edlia, V.14, n\u00b001, jan-abr., 2011.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">GENARO, Ednei, Converg\u00eancias e diverg\u00eancia dos discursos de Heidegger e Simondon sobre a t\u00e9cnica moderna. In: <b>Revista Tecnologia e Sociedade<\/b>, n\u00b011, 2\u00b0 s, 2010.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">HEIDEGGER, Martin, <b>Ser e Tempo<\/b>. Parte I. Vozes, Petr\u00f3polis, 2005.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">LATOUR, Bruno, <b>Jamais fomos modernos<\/b>. Editora 34, Rio de Janeiro, 1994.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">LYOTARD, Jean, <b>A condi\u00e7\u00e3o p\u00f3s-moderna<\/b>. Gradiva, Lisboa, 1989.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">PIRANDELLO, Luigi, <b>O finado Matias Pascal<\/b>. Tradu\u00e7\u00e3o de Helena Cunha. Opera Mundi, Rio de Janeiro, 1970.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">SIMONDON, Gilbert, <b>Du mode d\u2019existence des objets techniques<\/b>. Aubier-Montaigne, Paris, 1969.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">_________________, <b>L&#8217;individuation psychique et collective<\/b>. Breteuil-sur-Iton, Aubier, 1989.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">STIEGLER, Bernard, Contribution \u00e0 une th\u00e9orie de la consommation de masse. Le d\u00e9sir asphyxi\u00e9, ou comment l\u2019industrie culturelle d\u00e9truit l\u2019individu. In: <b>Archives Le Monde<\/b>, Juin, 2004.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">________________, Temps et individuation technique, psychique, et collective dans l\u2019ouvre de Simondon. In: <b>Multitudes \u2013 Futur Ant\u00e9rieur<\/b>, n\u00b019-20, 1993.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">________________, <b>La technique et le temps, tome 1\u00a0: La faute d\u2019Epimethee<\/b>. Galilee, Paris, 1994.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">________________, <b>La Technique et le Temps, tome 3 : Le Temps du cin\u00e9ma et la Question du mal-\u00eatre<\/b>. Galile\u00e9, Paris, 2001.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">________________, Questions de pharmacologie g\u00e9n\u00e9rale. Il n\u2019y a pas de simple pharmakon. In: <b>Psychotropes<\/b>, vol.13, n\u00b03, 2007, p.27-53.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">________________, <b>Ce qui fait que la vie vaut la peine d&#8217;\u00eatre v\u00e9cue\u00a0: de la pharmacologie<\/b>. Paris: Flammarion, 2010.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\u00a0________________, <b>Philosopher par accident<\/b>. Galile\u00e9, Paris, 2004.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">VAZ, Paulo, Globaliza\u00e7\u00e3o e Experi\u00eancia de Tempo. In: Menezes, P. (org.). <b>Signos Plurais &#8211; M\u00eddia, Arte e Cotidiano na Globaliza\u00e7\u00e3o<\/b>. Experimento, S\u00e3o Paulo, 1997.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">SANTOS, Laymert G. dos, A informa\u00e7\u00e3o ap\u00f3s a virada cibern\u00e9tica. In: SANTOS, L. G. dos e outros.\u00a0 <b>Revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, internet e socialismo<\/b>.\u00a0 S\u00e3o Paulo: Ed. Perseu Abramo, 2003.<\/p>\n<div>\n<hr align=\"left\" size=\"1\" width=\"33%\" \/>\n<div style=\"text-align:justify\">\n<p><a title=\"\" href=\"\/Users\/Dini\/Desktop\/Artigo%20-%20colocar%20Maelstromlife.docx#_ftnref1\">[1]<\/a> \u201cNingu\u00e9m mais sabe se o urso dos Pireneus, os kolkozes, os aeross\u00f3is, a revolu\u00e7\u00e3o verde, a vacina anti-variola, a guerra nas estrelas, a religi\u00e3o mu\u00e7ulmana, a ca\u00e7a a perdiz, a Revolu\u00e7\u00e3o francesa, os sindicatos da EDF, a fus\u00e3o a frio, o bolchevismo, a relatividade, o nacionalismo esloveno, etc., est\u00e3o fora de moda, em dia, s\u00e3o futuristas, intemporais, inexistentes ou permanentes. \u00c9 este turbilh\u00e3o no fluxo temporal que os p\u00f3s-modernos identificaram t\u00e3o bem nas duas vanguardas das belas-artes e da pol\u00edtica. (&#8230;) Os p\u00f3s-modernos tem raz\u00e3o quanto \u00e0 dispers\u00e3o &#8211; qualquer agrupamento contempor\u00e2neo \u00e9 politemporal -, mas est\u00e3o errados ao desejar conservar o panorama geral e ainda acreditar na exig\u00eancia de novidade cont\u00ednua requerida pelo modernismo\u201d (LATOUR, p. 73).<\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align:justify\">\n<p><a title=\"\" href=\"\/Users\/Dini\/Desktop\/Artigo%20-%20colocar%20Maelstromlife.docx#_ftnref2\">[2]<\/a> Adorno (1992, p. 33), em certo momento, escreveu \u201cMinima Moralia\u201d: \u201ca tecnifica\u00e7\u00e3o torna, entrementes, precisos e rudes os gestos, e com isso, os homens. Ela expulsa das maneiras toda hesita\u00e7\u00e3o, toda civilidade, subordinando-as \u00e0s exig\u00eancias intransigentes e como que a-hist\u00f3ricas das coisas. (&#8230;) E qual motorista que j\u00e1 n\u00e3o foi tentado, pela pot\u00eancia do motor de seu ve\u00edculo a atropelar a piolhada na rua, pedestres, crian\u00e7as e ciclistas?\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align:justify\">\n<p><a title=\"\" href=\"\/Users\/Dini\/Desktop\/Artigo%20-%20colocar%20Maelstromlife.docx#_ftnref3\">[3]<\/a> A literatura francesa, principalmente nos escritos de Jacques Ellul foi representativa deste universo intelectual corrente no s\u00e9culo XX, antes de Baudrillard e Virilio.<\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align:justify\">\n<p><a title=\"\" href=\"\/Users\/Dini\/Desktop\/Artigo%20-%20colocar%20Maelstromlife.docx#_ftnref4\">[4]<\/a> \u201cO que escapa a Heidegger \u00e9 que a confus\u00e3o da mnemot\u00e9cnica e da tecnologia est\u00e1 no que acontece essencialmente com a tecnologia contempor\u00e2nea como \u2018resolu\u00e7\u00e3o\u2019 da metaf\u00edsica moderna da subjetividade. O <i>Gestell<\/i> como domina\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria desta metaf\u00edsica significa a mundializa\u00e7\u00e3o da \u2018compreens\u00e3o de que o ser-a\u00ed tem de seu ser\u2019, e sobre o modo que chamamos de a <i>\u00e9poca do mal estar [mal-\u00eatre]<\/i>. O sentido desta evolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 verdadeiramente percebido por Heidegger porque sua desaten\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos processos retencionais e seu impensado dos processos de ado\u00e7\u00e3o lhe cegam. Ele tamb\u00e9m substima o acontecimento colossal no qual consiste a <i>confus\u00e3o mn\u00e9mo-techno-logique<\/i>, n\u00e3o podendo destacar a quest\u00e3o da escola \u2013 esta institui\u00e7\u00e3o de programa e de massa, por excel\u00eancia o index da democracia, que ele d\u00favida que se possa fazer frente aos d\u00e9ficits ontol\u00f3gicos que constitui a tecnoci\u00eancia\u201d (STIEGLER, 2001, p.246, tradu\u00e7\u00e3o nossa).<\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align:justify\">\n<p><a title=\"\" href=\"\/Users\/Dini\/Desktop\/Artigo%20-%20colocar%20Maelstromlife.docx#_ftnref5\">[5]<\/a> Em uma frase c\u00e9lebre, Simondon (1969, p.138) escreveu: \u201cO homem, int\u00e9rprete das m\u00e1quinas, \u00e9 tamb\u00e9m aquele que, a partir de seus esquemas, fundou as formas r\u00edgidas que permitem a m\u00e1quina funcionar. A m\u00e1quina \u00e9 um gesto depositado, fixado, se transformando em estere\u00f3tipo e poder de repeti\u00e7\u00e3o. (&#8230;) A m\u00e1quina \u00e9 um ser que funciona. Seus mecanismos concretizam um dinamismo coerente que alguma vez existiu em pensamento, que foi o pensamento\u201d (SIMONDON, 1969, p. 138, tradu\u00e7\u00e3o nossa).<\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align:justify\">\n<p><a title=\"\" href=\"\/Users\/Dini\/Desktop\/Artigo%20-%20colocar%20Maelstromlife.docx#_ftnref6\">[6]<\/a> Haveria um desacerto, uma inconsci\u00eancia na tecnocultura contemp\u00f4nea: \u201ca oposi\u00e7\u00e3o entre t\u00e9cnica e cultura durar\u00e1 at\u00e9 que a cultura descubra que cada m\u00e1quina n\u00e3o \u00e9 uma unidade absoluta, sen\u00e3o somente uma realidade t\u00e9cnica individualizada, aberta a duas vozes: a da rela\u00e7\u00e3o com os elementos e a das rela\u00e7\u00f5es interindividuais no conjunto t\u00e9cnico\u201d (<i>idem<\/i>, p. 146, tradu\u00e7\u00e3o nossa).<\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align:justify\">\n<p><a title=\"\" href=\"\/Users\/Dini\/Desktop\/Artigo%20-%20colocar%20Maelstromlife.docx#_ftnref7\">[7]<\/a> Este dois termos, oriundos do pensamento f\u00edsico-qu\u00edmico, s\u00e3o utilizados por Simondon para explicar a medidas de energias que determinam (ou n\u00e3o) momentos de transindividua\u00e7\u00f5es: entropia (medida da desordem ou imprevisibilidade da informa\u00e7\u00e3o); neguentropia (medida da ordem ou previsibilidade da informa\u00e7\u00e3o). A primeira tende a ser negativa, pois \u00e9 capaz de (des)individualiza\u00e7\u00e3o e diverg\u00eancia entre as temporalidades t\u00e9cnicas e humanas; a segunda, tende a ser positiva, pois abre para individua\u00e7\u00f5es e harmonias homem-t\u00e9cnica.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p style=\"text-align:justify\"><a title=\"\" href=\"\/Users\/Dini\/Desktop\/Artigo%20-%20colocar%20Maelstromlife.docx#_ftnref8\">[8]<\/a> \u201cA mem\u00f3ria humana \u00e9 indissoci\u00e1vel da t\u00e9cnica de forma que ela \u00e9 epifilogen\u00e9tica: eu qualifico desta maneira na medida de em que a terceira mem\u00f3ria \u00e9 tanto o produto da experi\u00eancia individual que chamamos epigen\u00e9tico, como o suporte filogen\u00e9tico, isto \u00e9, constitui um verdadeiro phylum cultural intergeneracional, de acumula\u00e7\u00e3o de saberes no qual n\u00f3s n\u00e3o podemos simplesmente nomear a esp\u00e9cie humana, mas sim o g\u00eanero humano\u201d (STIEGLER, 2004, p.49, tradu\u00e7\u00e3o nossa).<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>POLITIZANDO A ACELERA\u00c7\u00c3O TECNOL\u00d3GICA: ritmos de individua\u00e7\u00e3o e tecnocultura \u00a0 1. DA NECESSIDADE DE HABITAR O TEMPO Seguindo uma demarca\u00e7\u00e3o corrente, com a ascens\u00e3o dos discursos \u201cp\u00f3s-modernos\u201d a quest\u00e3o do tempo se tornou central para o entendimento da cultura contempor\u00e2nea. Na obra \u201cA condi\u00e7\u00e3o p\u00f3s-moderna\u201d, Lyotard (1989) anunciava que uma das tarefas imprescind\u00edveis era compreender [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":16556679,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_coblocks_attr":"","_coblocks_dimensions":"","_coblocks_responsive_height":"","_coblocks_accordion_ie_support":"","advanced_seo_description":"","jetpack_seo_html_title":"","jetpack_seo_noindex":false,"jetpack_seo_schema_type":"","_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_wpcom_ai_launchpad_first_post":false,"_jetpack_hide_featured_image":false,"_jetpack_featured_image_duplicate_dismissed":0,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[69883530,685081593],"tags":[311593298,393712196,494722709,494722708,494722707,798,183261126,760096],"class_list":["post-916","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-2-ensaios-temas-gerais-estudos-esteticos-politicos","category-materialismo-contemporaneo-arqueologia-democracia","tag-aceleracao-tecnologica","tag-ednei-de-genaro","tag-habitar-o-tempo","tag-individuacao-psiquica","tag-individuacao-tecnica","tag-politica","tag-ritmos-da-vida","tag-tecnocultura"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p14Xsm-eM","jetpack-related-posts":[],"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/maelstromlife.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/916","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/maelstromlife.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/maelstromlife.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/maelstromlife.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/16556679"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/maelstromlife.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=916"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/maelstromlife.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/916\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5709,"href":"https:\/\/maelstromlife.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/916\/revisions\/5709"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/maelstromlife.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=916"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/maelstromlife.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=916"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/maelstromlife.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=916"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}