{"id":936,"date":"2013-05-02T18:00:08","date_gmt":"2013-05-02T18:00:08","guid":{"rendered":"http:\/\/maelstromlife.com\/?p=936"},"modified":"2025-09-07T01:43:45","modified_gmt":"2025-09-07T01:43:45","slug":"3-redes-sociais-e-construcoes-algoritmicas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/maelstromlife.com\/en\/2013\/05\/02\/3-redes-sociais-e-construcoes-algoritmicas\/","title":{"rendered":"REDES SOCIAIS E CONSTRU\u00c7\u00d5ES ALGOR\u00cdTMICAS"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\"><strong>REDES SOCIAIS E CONSTRU\u00c7\u00d5ES ALGOR\u00cdTMICAS<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/maelstromlife.com\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/redes-sociais_algoritmo1.jpg\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"935\" data-permalink=\"https:\/\/maelstromlife.com\/en\/2013\/05\/02\/3-redes-sociais-e-construcoes-algoritmicas\/redes-sociais_algoritmo-2\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/maelstromlife.com\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/redes-sociais_algoritmo1.jpg?fit=460%2C464&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"460,464\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"redes sociais_algoritmo\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/maelstromlife.com\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/redes-sociais_algoritmo1.jpg?fit=460%2C464&amp;ssl=1\" class=\"wp-image-935 aligncenter\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/maelstromlife.com\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/redes-sociais_algoritmo1.jpg?resize=322%2C325\" alt=\"redes sociais_algoritmo\" width=\"322\" height=\"325\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O senso comum tende a pensar que os dispositivos virtuais ou plataformas s\u00e3o apenas bases neutras, puros \u201crecept\u00e1culos\u201d que permitem \u00e0s pessoas usar e depositar seus conte\u00fados nas redes como quiserem. Deve-se destacar que essa vis\u00e3o decorre de uma percep\u00e7\u00e3o estreita e ing\u00eanua, herdada da no\u00e7\u00e3o de progresso no pensamento moderno. No s\u00e9culo XX, pensadores como Heidegger e Simondon contribu\u00edram para questionar essa ideia de maneira profunda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na realidade, as ferramentas, t\u00e9cnicas, m\u00e1quinas e materialidades do mundo tamb\u00e9m agenciam processos que constituem nossas formas de vida ps\u00edquica e coletiva. Como demonstrou Simondon, as t\u00e9cnicas possuem valor de individua\u00e7\u00e3o. De forma sint\u00e9tica, imp\u00f5e-se reconhecer que o valor do mundo n\u00e3o \u00e9 antropoc\u00eantrico e n\u00e3o se constitui apenas como resultado da \u201ca\u00e7\u00e3o humana\u201d. Nesse sentido, no contempor\u00e2neo, pensadores sociais diversos, como Bruno Latour e Bernard Stiegler, coincidem em apontar a import\u00e2ncia da no\u00e7\u00e3o de composi\u00e7\u00e3o e no estudo das redes s\u00f3cio-t\u00e9cnicas (humanas e n\u00e3o-humanas), bem como das individua\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas, coletivas e t\u00e9cnicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Assim, as sociabilidades se colocam como uma quest\u00e3o organol\u00f3gica, na qual diversos agentes do mundo est\u00e3o implicados. O mundo virtual \u2013 composto de interfaces, media\u00e7\u00f5es, softwares, apps, tipos de conex\u00e3o, f\u00f3runs, dom\u00ednios, protocolos, spam, an\u00fancios etc. \u2013 \u00e9 constitu\u00eddo por diferentes formas de produ\u00e7\u00e3o, uso, distribui\u00e7\u00e3o e controle de dados, que, substancialmente, contribuem para moldar \u201caquilo que somos\u201d e \u201caquilo que podemos vir a ser\u201d. Os modos de ver, saber e agir das pessoas est\u00e3o intimamente relacionados aos arranjos, agenciamentos e modelos inform\u00e1ticos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A singularidade do novo mundo criado pela internet deve-se, em grande parte, aos efeitos dos conjuntos l\u00f3gicos computacionais, que prescrevem e interligam determinadas regras, ordena\u00e7\u00f5es e atividades \u2013 ou seja, possuem inevitavelmente uma base l\u00f3gica algor\u00edtmica. O algoritmo organiza os fluxos de movimenta\u00e7\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o dos dados que produzimos cotidianamente na internet. Ele possibilita a discretiza\u00e7\u00e3o temporal, a estrutura\u00e7\u00e3o formal espa\u00e7o-temporal e sua atua\u00e7\u00e3o performativa, deixando \u201crastros\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">As composi\u00e7\u00f5es de sentimentos, valores e a\u00e7\u00f5es em constru\u00e7\u00f5es algor\u00edtmicas podem, hoje, indicar caracter\u00edsticas tanto positivas quanto negativas no que diz respeito aos ambientes pol\u00edticos democr\u00e1ticos. Como demonstrou A. Galloway, a descentraliza\u00e7\u00e3o por si s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo imediato de \u201cliberta\u00e7\u00e3o\u201d dos indiv\u00edduos das estruturas hier\u00e1rquicas, nem de subjetiva\u00e7\u00f5es menos ego\u00edstas. O controle dos protocolos por governos e corpora\u00e7\u00f5es gera novas investidas cerceadoras e explorat\u00f3rias sobre os indiv\u00edduos. \u201cConsidera-se o software social como liberador, democratizador etc. Isto \u00e9 ineg\u00e1vel. Por\u00e9m, mais importante \u00e9 o fato de que hoje estamos iniciando um novo sistema de extra\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o de valor inform\u00e1tico. A web \u00e9, em ess\u00eancia, a maior f\u00e1brica de explora\u00e7\u00e3o do mundo. O fen\u00f4meno abrange todo o espectro das tecnologias da web, mas tamb\u00e9m o terreno biol\u00f3gico, uma vez que passou a ocupar o centro de valora\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o. Nesse sentido, empresas como Google e Monsanto caminham lado a lado, j\u00e1 que ambas utilizam espa\u00e7os inform\u00e1ticos (internet, genoma) para extrair novas formas de valor n\u00e3o compensado. Ambas influenciam a capacidade da vida de se valorizar por si mesma. Quem conhece a \u00e9poca moderna perceber\u00e1 que esse processo ocorre h\u00e1 muito tempo. A pergunta principal n\u00e3o \u00e9 se isso est\u00e1 acontecendo ou como, mas sim qual o estado moral do tema\u201d (Galloway \u2013 <a class=\"decorated-link\" href=\"http:\/\/publicaciones.zemos98.org\/spip.php?article626\" target=\"_new\" rel=\"noopener\">http:\/\/publicaciones.zemos98.org\/spip.php?article626<\/a>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">As conjunturas e grupos de interesse s\u00e3o fundamentais para pensar os tipos de virtualidades criadas. \u00c9 preciso distinguir entre a \u201cpol\u00edtica na internet\u201d e a \u201cpol\u00edtica da internet\u201d, como observa S\u00e9rgio Silveira. Essa distin\u00e7\u00e3o fica evidente, por exemplo, ao analisarmos as infraestruturas e os formatos de funcionamento da internet: os protocolos TCP\/IP \u2013 conjunto de regras fundamentais para conectar uma m\u00e1quina ou rede \u00e0 internet \u2013 permitem, por um lado, comunica\u00e7\u00e3o distribu\u00edda, mas operam, por outro, com o sistema de nomes de dom\u00ednio (DNS), cujo funcionamento \u00e9 extremamente hier\u00e1rquico (ver artigo \u201cAs novas dimens\u00f5es da pol\u00edtica: protocolos e c\u00f3digos na esfera p\u00fablica interconectada\u201d).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A elimina\u00e7\u00e3o do anonimato, justificada por discursos de combate ao terrorismo e aos crimes virtuais, foi uma medida implementada por agentes pol\u00edticos centralizadores. A partir disso, esses agentes exploraram o outro lado da moeda: a disseca\u00e7\u00e3o completa das identidades e a coleta e tratamento das informa\u00e7\u00f5es circulantes na m\u00eddia. Nessas circunst\u00e2ncias \u2013 e retomando o vocabul\u00e1rio deleuziano \u2013, os \u201cespa\u00e7os rizom\u00e1ticos\u201d, mesmo nas redes sociais, podem ser transformados, de alguma forma, em \u201cesp\u00e9cies arb\u00f3reas\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A possibilidade de determina\u00e7\u00f5es predicativas do otium e negotium da vida gera discuss\u00f5es importantes. De maneira in\u00e9dita, as infraestruturas e formatos digitais se aperfei\u00e7oam incessantemente, seguindo as necessidades de corpora\u00e7\u00f5es ou estrat\u00e9gias geopol\u00edticas dos Estados mais ricos. Estes buscam atuar nos modos de ver, saber e agir das pessoas. No campo corporativo, um exemplo \u00e9 o algoritmo PageRank do Google. Com a justificativa de organizar o \u201ccaos\u201d na internet, a empresa implementou uma ferramenta que decide antecipadamente para o usu\u00e1rio o que \u00e9 \u201cbom\u201d ou \u201cruim\u201d, o que pode \u201cver\u201d ou n\u00e3o. Com base na an\u00e1lise das navega\u00e7\u00f5es anteriores (dep\u00f3sitos de links, cita\u00e7\u00f5es, n\u00famero de visitas), os endere\u00e7os s\u00e3o ranqueados de forma que a m\u00e1quina filtre o que considera \u201cinteressante\u201d. Esse processo reduz a aleatoriedade e o julgamento pr\u00f3prio do usu\u00e1rio, al\u00e9m de abrir espa\u00e7o para poss\u00edveis abusos e censuras. O surgimento dos filtros garante a efetividade das estrat\u00e9gias de marketing do \u201cSearch Engine Optimization\u201d, com ferramentas que ajudam os navegadores a otimizar resultados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">H\u00e1, enfim, uma engenharia social de cunho algor\u00edtmico transformando a vida das pessoas em redes sociais. Discutir isso \u00e9 sair da ingenuidade de imaginar que os indiv\u00edduos estariam \u201clivres\u201d para criar suas subjetividades e coletividades na internet. As transforma\u00e7\u00f5es desse processo s\u00e3o evidentes. Basta acompanhar not\u00edcias recentes para comprovar: um site que permite continuar twittando ap\u00f3s a morte (<a class=\"decorated-link\" href=\"http:\/\/liveson.org\/\" target=\"_new\" rel=\"noopener\">http:\/\/liveson.org\/<\/a>); a introdu\u00e7\u00e3o de algoritmos que alteram teorias sobre a origem da vida (<a class=\"decorated-link\" href=\"http:\/\/www.wired.com\/wiredscience\/2013\/06\/algorithms-revise-tree-of-lif\/?cid=8643414\" target=\"_new\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.wired.com\/wiredscience\/2013\/06\/algorithms-revise-tree-of-lif\/?cid=8643414<\/a>); e um misterioso programa que estaria mudando as \u201cregras do jogo\u201d na m\u00e1fia financeira (<a class=\"decorated-link\" href=\"http:\/\/www.cnbc.com\/id\/4933345\" target=\"_new\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.cnbc.com\/id\/4933345<\/a>).<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>REDES SOCIAIS E CONSTRU\u00c7\u00d5ES ALGOR\u00cdTMICAS O senso comum tende a pensar que os dispositivos virtuais ou plataformas s\u00e3o apenas bases neutras, puros \u201crecept\u00e1culos\u201d que permitem \u00e0s pessoas usar e depositar seus conte\u00fados nas redes como quiserem. 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