[Tradução] – MCKENZIE WARK, “WENDY CHUN: PROGRAMANDO POLÍTICAS” [2017]

 

Traduções – “Software, Rede, Classe – Chun, Galloway, Wark” [Fins acadêmicos]

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WENDY CHUN: PROGRAMANDO POLÍTICAS

MCKENZIE WARK

Originalmente publicado em: Wark, M. General Intellects: Twenty-One Thinkers for the Twenty-First Century. London: Verso, 2017. [Capítulo 16].

Tradução: Ednei de Genaro

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Engelbart 1

Engelbart 2

Fotogramas da teleconferência de Douglas Engelbart, “The Mother of All Demos”. (https://www.youtube.com/watch?v=yJDv-zdhzMY)

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A relação entre o analógico e o digital é, em si mesma, analógica ou digital? Essa pode ser uma maneira de pensar o contraste entre a obra de Alexander Galloway e a de Wendy Hui Kyong Chun. No próximo capítulo, escreverei sobre a noção de Galloway do software como uma simulação da ideologia. Neste, abordo o conceito de software como uma analogia para a ideologia, a partir de uma leitura do livro Programmed Visions: Software and Memory, de Chun [1].

O software como analogia é algo peculiar. Ele ilustra o desconhecido por meio do incognoscível; participa de algumas propriedades estranhas da informação e as corporifica. Nas palavras de Chun: “a informação digital separou a tangibilidade da permanência” (p. 5). Ou, como coloquei em Um Manifesto Hacker: a relação da matéria como suporte para a informação torna-se arbitrária [2]. A história da reificação da informação passa pela história da produção do software como um objeto separado de um processo de trabalho distinto e de uma forma de propriedade. Chun formula isso em termos mais foucaultianos:

[…] o notável processo pelo qual o software foi transformado de um serviço no tempo em um produto, o endurecimento das relações em uma coisa, a externalização da informação em relação ao eu, coincide com amplas mudanças dentro daquilo que Michel Foucault denominou governamentalidade e as corporifica (p. 6).

O software coincide com aquilo que Chun, seguindo Foucault e [Wendy] Brown, chama de neoliberal. Não estou totalmente seguro de que o termo “neoliberal” se sustente bem como um conceito geral, mas a distinção fundamental seria que, no liberalismo, o Estado deve manter-se fora do mercado, enquanto no neoliberalismo o mercado torna-se o modelo para o Estado. Em ambos os casos, não há um poder soberano governando de cima para baixo, mas sim uma governamentalidade que produz sujeitos autoativáveis, cujas ações “livres” não podem ser conhecidas de antemão. Essa produção de agentes livres requer um gerenciamento das populações, uma prática de biopoder.

O que foi dito acima pode valer como uma explicação simplificada, um modelo padrão. O que Chun acrescenta é o papel da computação no gerenciamento das populações e no cultivo dos indivíduos como “capital humano”. O sujeito neoliberal experimenta o domínio e o “empoderamento” por meio de interfaces computacionais que o informam sobre eventos passados e futuros possíveis, transformando-se, com efeito, no próprio futuro. A “fonte” desse modo de governamentalidade é o próprio código-fonte. O código torna-se o logos: no princípio, era o código. Em algum nível, o usuário sabe que o código não funciona magicamente por si só, mas sim que controla uma máquina; contudo, ele age como se o código tivesse tal poder. Nem o trabalho da máquina nem o trabalho dos seres humanos parecem ter relevância.

O código como logos organiza o passado na forma de dados armazenados e os apresenta, por meio de uma interface, como o meio para que as unidades de capital humano façam suas apostas. “O software como coisa é inseparável da externalização da memória, do sonho e do pesadelo de um arquivo abrangente que constantemente se regenera e degenera, que nos atrai e desaparece diante de nossos olhos” (p. 11). Como [Bifo] Berardi e outros observaram, não se trata da tragédia da alienação, mas daquilo que [Jean] Baudrillard chamou de o êxtase da comunicação [3].

O software é o componente crucial na produção da aparência de transparência, na qual o usuário pode gerenciar seus próprios dados e imaginar que enxerga todas as variáveis relevantes para suas decisões de investimento sobre o próprio capital humano. Curiosamente, essa visibilidade é produzida por algo invisível, que oculta seu funcionamento. Desse modo, a computação torna-se uma metáfora permutável por qualquer coisa que consideremos invisível, mas que gere efeitos visíveis. A economia, a natureza, o cosmos e o amor são todos concebidos como caixas-pretas que podem ser conhecidas por meio dos dados visíveis em suas interfaces.

A interface surge, assim, como um dispositivo de mapeamento cognitivo — embora não no sentido de Fredric Jameson, que seria uma intuição estética da totalidade das relações sociais capitalistas [4]. O que temos é o mapa de um mapa, das relações de troca entre unidades quantificáveis. Na tela do dispositivo, cujo funcionamento desconhecemos, vemos claramente os dados sobre o funcionamento de outras coisas que também ignoramos. Do mesmo modo que o dispositivo parece redutível ao código que faz os dados aparecerem, os outros sistemas por ele modelados também precisam que seus modelos sejam reduzidos ao código para que seus dados se manifestem.

Contudo, isso não é propriamente um atributo da computação em geral, mas sim de uma versão histórica específica dela, na qual o software emergiu como uma forma de segunda (terceira ou quarta…) ordem de apresentar os tipos de coisas que o computador poderia fazer. Chun: “O software emerge como uma coisa — como um programa textual iterável — por meio de um processo de comercialização e comodificação que transformou o código em logos: o código como fonte, o código como representação fiel da ação — na verdade, o código como confluente com a ação e substituto dela” (p. 18).

Um efeito colateral da ascensão do software foi a fantasia do programador todo-poderoso. Não penso que o codificador seja, necessariamente, o tipo ideal do sujeito neoliberal. Em vez disso, essa figura foi absorvida por uma série de arquétipos preexistentes e sutilmente transformada por eles. O programador pode ser tanto uma figura de controle quanto de rebelião, entre tantas outras coisas. Ora surge como uma figura da ordem, ora como uma figura romântica — um fora da lei em busca de exploits [5].

Penso ser mais útil focar menos nas supostas qualidades únicas do programador e indagar, prioritariamente, que tipo de trabalho ele ou ela realiza e com quais outras formas de trabalho esse fazer se assemelha. As propriedades bastante peculiares da informação, decorrentes em parte dessa trajetória tecnocientífica, tornam o codificador a expressão primordial de um tipo de trabalho igualmente peculiar. Contudo, o trabalho está curiosamente ausente de certas partes do pensamento de Chun. A figura do codificador como um hacker romântico e fora da lei pode ser, em grande medida, um mito; no entanto, é ela que coloca as questões de agência que tipicamente não emergem quando se pensa por meio de Foucault [6].

Ao contrário de Galloway, Chun não quer tomar como dada a identidade técnica do software como meio de controle da máquina que ele comanda. Ela deseja manter a materialidade da máquina sempre em vista. O código não é tudo, mesmo que seja precisamente assim que o próprio código nos faça pensar. “Essa amplificação do poder do código-fonte também domina as análises críticas do código, e a valorização do software como uma ‘camada motora’ constrói conceitualmente o software como algo nitidamente ordenado em camadas” (p. 21).

O código torna-se fetiche, como Haraway também argumentou. Trata-se, porém, de um tipo estranho de fetiche, não inteiramente análogo ao fetiche religioso, mercantil ou sexual. Enquanto esses fetiches supostamente oferecem meios imaginários de controle, o código realmente controla as coisas. Poder-se-ia inclusive inverter a afirmação aqui: e se o fato de não aceitar que o código detém o controle fosse a real marca de um fetichismo? Um fetichismo no qual objetos particulares precisam ser interpostos como talismãs de uma relação de poder que é abstrata e invisível, mas real?

Penso que seria possível sustentar essa perspectiva e ainda assim aceitar grande parte das nuances contidas nas leituras bastante interessantes e persuasivas que Chun faz de momentos e textos fundamentais da história da computação. Ela argumenta, por exemplo, que o código não deve ser confundido com a sua execução. Não se pode executar o código-“fonte” em si mesmo; ele precisa ser compilado. A relação entre o código-fonte e o código de máquina não é uma mera identidade técnica. “O código-fonte só se torna uma fonte após o fato” (p. 24).

Note-se que se poderia levar isso ainda mais longe do que Chun o faz. Ela fundamenta o código-fonte no código de máquina, e este, por sua vez, nas arquiteturas de hardware. Mas estas só funcionam se houver uma “fonte” de energia, e só existem se forem fabricadas a partir de materiais frequentemente muito raros. Hoje, todos esses elementos estão sujeitos a formas de comando computadorizado que reúnem tais materiais e o trabalho necessário para operá-los. Reduzir os computadores ao comando — e, na verdade, não apenas os computadores, mas economias políticas inteiras — pode não ser tanto uma antropomorfização do computador, mas sim o reconhecimento de que a informação se tornou uma coisa consideravelmente não humana.

Eu argumentaria que o desejo de ver o ato de comandar um dispositivo desconhecido e invisível por meio de uma interface e de um software — nos quais o código aparece como fonte e logos — é, ao mesmo tempo, uma maneira de conferir sentido à opacidade e, de fato, à irracionalidade político-econômica neoliberal. Mas talvez o comando em si não seja tão dominante, sendo antes um gesto que apenas aparenta restaurar o sujeito a si mesmo. Talvez o comando não seja “empoderador” de nada além de si próprio. A informação exerce controle sobre ambos: objetos e sujeitos.

Para desenvolver essa ideia, Chun rememora oportunamente um momento da história da computação: as “garotas do ENIAC”. Os primórdios da computação contavam com uma divisão sexual do trabalho, na qual os homens calculavam o problema matemático e as mulheres precisavam materializar esse problema em uma série de etapas executadas pela máquina. “Poder-se-ia dizer que a programação se tornou programação e o software se tornou software quando a estrutura de comando mudou do comando a uma ‘garota’ para o comando a uma máquina” (p. 29).

Embora Chun não a formule exatamente nesses termos, a trajetória do software no pós-guerra poderia ser vista como o resultado de conflitos em torno do trabalho. O software elimina a necessidade de programar cada tarefa diretamente em linguagem de máquina. Ele oferece ao codificador um ambiente no qual escrever instruções para a máquina, ou ao usuário um ambiente para formular os problemas que a máquina deve resolver. O software se manifesta por meio de uma interface que torna a máquina invisível, oferecendo, em contrapartida, formas de pensar sobre as instruções ou sobre o problema de modo mais inteligível para o ser humano e mais eficiente face às habilidades humanas e às restrições de tempo.

O software dispensa a necessidade de escrever em linguagem de máquina. Isso transformou a programação em uma tarefa de ordem superior, baseada em operações matemáticas e lógicas, e não em operações mecânicas. Mas também tornou a programação disponível como uma modalidade de trabalho industrializado. Certas tarefas puderam ser automatizadas. A execução rotineira da máquina pôde ser separada da solução de problemas específicos por ela realizada. Poder-se-ia inclusive enxergar nisso, em parte, uma forma de desqualificação do trabalho (deskilling) [9].

A separação entre software e hardware também permitiu a segmentação de certas tarefas de programação no interior do próprio software. Daí decorre o surgimento da programação estruturada como uma maneira de gerenciar a qualidade e a disciplina laboral quando a programação se profissionaliza como uma indústria. A programação estruturada introduz uma divisão do trabalho e protege o funcionamento da máquina das rotinas da atividade de programação. O resultado pode ser menos eficiente do ponto de vista da organização do “trabalho” da máquina, porém mais eficaz sob a ótica da organização do trabalho humano. A programação estruturada recruta a própria máquina para a tarefa de autogerenciamento. Trata-se de um passo em direção à programação orientada a objetos, que oculta ainda mais a máquina — bem como o interior de outros “objetos” — daqueles operários encarregados de uma função específica dentro da divisão do trabalho.

A exemplo de [Amy] Wendling, Chun nota que foi Charles Babbage, e não Marx, quem antecipou a industrialização das tarefas cognitivas e a aplicação da divisão do trabalho a elas [9]. Todavia, nenhum dos dois previu o software como uma forma mercantil distinta, ou (eu acrescentaria) como um produto resultante de uma modalidade de trabalho inteiramente peculiar. Muito mais poderia ser dito aqui sobre a evolução das relações de propriedade privada que permitiram ao software constituir-se como um objeto produzido pelo trabalho, e não como um mero serviço que aplica relações matemáticas preexistentes ao funcionamento de máquinas.

Crucial para a análise de Chun é o modo como o código-fonte se transforma em uma entidade que apaga a execução de seu campo de visão. Ele oculta o trabalho da máquina, que passa a operar como um dos espectros de Derrida [11]. Isso faz com que as ações humanas diante da máquina apareçam como uma relação de poder. “Inerente à noção de instrução como fonte e ao ímpeto de automatizar incessantemente a computação que a assombra, há uma narrativa repetida de libertação e empoderamento, de magos e (ex-)escravos” (p. 41).

Indago-me se essa não seria uma qualidade geral dos processos de trabalho. Um mecânico de automóveis não precisa conhecer as complexidades da metalurgia envolvidas na fabricação de um bloco de motor moderno; ele apenas precisa saber como substituir uma junta de cabeçote queimada. O que talvez seja mais distintivo é o modo como esses “objetos” particulares, feitos de informação armazenada em superfícies materiais aleatórias, também podem assumir a forma de propriedade privada e ser projetados de maneira a converter a informação em que trafegam em propriedade privada. Pode haver traços mais singulares no modo como a forma-código interage com a forma-propriedade do que na forma-código isoladamente.

Se analisarmos a evolução dessas formas conjuntamente, como o produto de uma sucessão de conflitos, teremos um caminho para explicar os contornos específicos dos dispositivos atuais. Chun: “A história da computação é repleta de momentos de ‘libertação do computador’ que são também momentos de maior ofuscação” (p. 45). Tudo gira em torno de saber quem é libertado de quê. Contudo, na obra de Chun, tais fenômenos são descritos mais como efeitos de uma estrutura do que como o resultado de um embate ou de uma negociação.

Passo a passo, o usuário é “libertado” não apenas da necessidade de conhecer sua máquina, mas, em seguida, da propriedade daquilo que nela é executado e, por fim, da propriedade dos dados que ele próprio produz no dispositivo. Cabe questionar se o primeiro tipo de “libertação” — prescindir do conhecimento da máquina — leva necessariamente, por si só, àquela outra libertação: o despojamento da propriedade da informação que produzimos. Em vez disso, ela pode atuar em consonância com os conflitos de classe que impulsionaram a emergência de um modo de produção centrado no software, tendo a propriedade intelectual como a configuração das relações de produção.

Em suma: os programadores pareciam tornar-se mais poderosos, porém mais distantes de suas máquinas; os usuários pareciam tornar-se mais poderosos, porém mais distantes de suas máquinas. Tanto o programador quanto o usuário não operam com a materialidade da máquina, mas com a informação. A informação se transforma em uma coisa — talvez no sentido de um fetiche, mas talvez também no sentido de uma forma de propriedade e de um poder real que se exerce sobre e contra aqueles que a manejam.

Contudo, não percamos de vista o fio de gênero que atravessa esse argumento. A programação é uma profissão peculiar: em uma época na qual as mulheres conquistavam espaço em carreiras antes predominantemente masculinas, a programação fez o caminho inverso, tornando-se um domínio majoritariamente masculino. Talvez isso se explique porque ela começou como uma modalidade de trabalho administrativo feminino para tornar-se — mediante a intermediação do software — uma casta sacerdotal, uma profissão acadêmica e de engenharia. É provável que seu viés masculino seja um artefato temporal: a programação consolidou-se como profissão tardiamente. Eu compararia esse fenômeno à célebre história de como a obstetrícia afastou as parteiras do ofício dos partos, masculinizando-o e institucionalizando-o há pouco mais de um século; uma realidade que, mais recentemente, voltou a ser contestada com o reingresso de mulheres como profissionais da área [12].

Meu argumento seria o de que, embora a cronologia seja diferente, a programação não difere tanto de outras profissões em suas pretensões de domínio exclusivo, fundamentadas no conhecimento de protocolos apartados de certas dimensões materiais e práticas. Nesse aspecto, ela seria tão diferente assim da arquitetura? O que carece de explicação é como o software interveio em todas as profissões e as transformou. A maioria delas foi redefinida como modalidades de trabalho informacional. Em muitos casos, isso pode levar à desqualificação e à precarização, por um lado, e ao fechamento corporativo em torno de certas funções de ordem superior baseadas na informação, por outro. Não se trata de a programação ser um exemplo de “neoliberalismo”, mas sim de o neoliberalismo ter se tornado um termo genérico para designar um conjunto de sintomas do papel da computação, em sua configuração atual, na produção da informação como uma camada de controle.

Daí a minha reserva diante da ambiguidade de formulações como esta: “O software torna-se axiomático. Como um primeiro princípio, ele fixa uma certa lógica neoliberal de causa e efeito, baseada no apagamento da execução e no privilégio da programação” (p. 49). E se o caso não for o de o software viabilizar o neoliberalismo, mas sim o de o neoliberalismo ser apenas uma maneira bastante imprecisa de descrever um modo de produção centrado no software? A máquina invisível une-se à lista de outros operadores invisibilizados: escravos, mulheres, operários. Eles não precisam ser visíveis, desde que cumpram as ordens que recebem; precisam apenas ser vistos executando o que se espera que façam. A invisibilidade é o reverso do poder [13]. Na medida em que o software detém ou é o poder, ele não constitui um fetiche imaginário.

Em lugar de fetiche e ideologia, poderíamos adotar conceitos distintos, como os que Bogdanov denomina substituição e metáfora básica [14]. Sob esse prisma, as formas organizacionais concretas por meio das quais o trabalho é controlado são projetadas sobre outros fenômenos desconhecidos. Substituímos a forma de organização que conhecemos e vivenciamos por formas que ignoramos — a vida, o universo etc. As metáforas básicas em operação tendem a ser, portanto, aquelas derivadas da forma dominante de organização do trabalho, e seu modelo causal converte-se em uma cosmovisão integral.

Esse me parece um bom esboço conceitual para compreender como o código, o software e a informação se transformaram em termos passíveis de serem transpostos para todo e qualquer problema, da inteligência e do amor à natureza e à evolução. Por exemplo, a programação orientada a objetos é apropriada, destituída de sua história técnica e econômica, e empregada como metáfora por Morton e outros sob a alcunha de ontologia orientada a objetos. A computação engendra uma maneira de pensar as relações de poder — e até de mapeá-las — em um mundo no qual tanto objetos quanto sujeitos podem ser controlados pela informação.

Como Chun reconhece, os computadores converteram-se em máquinas metafóricas. De máquinas universais no sentido matemático de Turing, transmutam-se em máquinas universais também em um sentido poético [15]. O computador é, nos termos de Chun, uma espécie de analogia, ou, nos de Galloway, uma simulação. É nesse sentido que, para Chun, a relação entre o analógico e o digital é analógica, ao passo que, para Galloway, ela é digital. Sob a perspectiva da máquina, enxerga-se o código como uma analogia para o mundo que ele controla; sob a perspectiva do software, testemunha-se uma simulação digital do mundo a ser controlado. Entrelaçado ao circuito mercantil de Marx (dinheiro $\rightarrow$ mercadoria $\rightarrow$ dinheiro), vigora agora outro: digital $\rightarrow$ analógico $\rightarrow$ digital. A grande questão da nossa era talvez seja discernir como o primeiro circuito foi subsumido pelo segundo.

Para Chun, a promessa daquilo que a “comunidade de inteligência” chama de topsight (visão panorâmica superior) por meio da computação revela-se ilusória. A produção de mapas cognitivos via computação obscurece os métodos pelos quais eles são confeccionados. Contudo, não haveria aqui uma espécie de estética modernista em jogo, cuja busca pela verdade das aparências consista em revelar os materiais por meio dos quais as aparências são produzidas? Eu sugeriria uma leitura ligeiramente diferente da literatura da computação. Não penso que a verdade do código resida em sua execução pela, na e como a máquina. Se assim for, por que parar aí? Por que não articular a máquina à sua própria fabricação? Também não estou totalmente seguro de que se possa afirmar, retrospectivamente, que o software codifica uma lógica neoliberal. Em vez disso, pode-se ler nela os indícios de disputas em torno de que tipo de poder a informação poderia se tornar.

Isso nos conduz à história das interfaces. Chun começa com a lendária rede de defesa aérea SAGE, o maior sistema computacional já construído. Utilizava 60 mil válvulas e consumia três megawatts de energia para operar. Foi concluído em 1963, quando já estava obsoleto, embora tenha pavimentado o caminho para o sistema de reservas aéreas SABRE. Fragmentos do hardware do antigo SAGE foram reaproveitados em cenários de filmes que demandavam computadores cheios de luzes piscantes, como em Fuga no Século 23 (Logan’s Run).

O SAGE constitui o mito fundador das concepções de computação em tempo real e de design de interface, viabilizando uma manipulação “direta” que simula o engajamento do usuário. É também um exemplo pioneiro do que Brenda Laurel formularia mais tarde como o computador como teatro. À semelhança do teatro, os computadores oferecem o que Paul Edwards chama de um mundo fechado de interação, no qual se faz necessário suspender a descrença e render-se aos prazeres de um universo previsível [16].

SAGE console

Operador de console do SAGE, 1958 (National Achives; n°342-B-003-14-K-435-48). Reproduzido a partir de Chun (2011, p. 61)

As alternativas oferecidas por uma interface alteram a rotina e modificam a noção do que é possível. Sabemos que nossas “pastas” e “desktops” não são reais, mas, de qualquer maneira, nós os usamos como se fossem. Ora, um arquivo em papel já é uma metáfora. O mundo não é melhor ou pior representado pelas minhas pastas de papel do que pelas minhas “pastas” digitais, ainda que elas não sejam o mesmo tipo de representação.

Chun: “Software e ideologia encaixam-se perfeitamente, porque ambos tentam mapear os efeitos tangíveis do intangível e posicionar as causas intangíveis a partir de provas visíveis” (p. 71). Quem sabe isso seja uma resposta à desorientação do momento pós-moderno. Galloway dirá que o software simula a ideologia. Eu penso que o problema aqui é o de o software emergir como uma metáfora básica, um modelo útil tirado do processo de trabalho mais avançado e substituído por processos desconhecidos. O mapeamento cognitivo é agora algo que todos precisam realizar constantemente, e de uma forma um tanto restrita — mapeando dados sobre custos e benefícios, riscos e recompensas — em vez de apreender a totalidade das relações sociais mercantilizadas.

Naquela que provavelmente é a intuição mais ousada do livro, Chun argumenta que a computação faz parte de uma disposição geral, uma episteme avivada no pensamento moderno, segundo a qual o corpo inescrutável de um fenômeno atual pode ser compreendido como o produto visível de um processo invisível que foi, de algum modo, codificado. Tal processo requer um arquivo, um passado sobre o qual trabalhar, e um mecanismo por meio do qual o progresso futuro surja de informações passadas.

J. C. R. Licklider, Douglas Engelbart e outras figuras da computação do pós-guerra buscavam máquinas que funcionassem em rede, operassem em tempo real e tivessem interfaces que permitissem ao usuário “navegar” por problemas complexos enquanto “dirigia” uma interface de forma a apreendê-la em etapas. Chun: “O sistema de Engelbart ressalta a fundamental qualidade neoliberal de empoderamento pessoal — a capacidade de o indivíduo ver-se, guiar-se e destruir-se criativamente — enquanto desenvolvimento social vital” (p. 83). Para mim, faz mais sentido dizer que os sintomas básicos do que chamamos vulgarmente de “neoliberal” são mais bem considerados como “engelbartianos”. Seu famoso demo de computação interativa para “trabalhadores intelectuais” pode ser visto agora como o artefato cultural realmente significativo de 1968 [17]. Chun:

O software tornou-se a súmula do senso comum para a cultura; e o hardware, uma súmula para a natureza. […]. Em nossa sociedade pós-ideológica, o software sustenta e despolitiza as noções de ideologia e de crítica da ideologia. As pessoas podem negar a ideologia, mas não negam o software — e atribuem ao software, metaforicamente, poderes superiores aos atribuídos à ideologia. Nossas interações com o software disciplinaram-nos, criaram certas expectativas de causa e efeito, ofereceram-nos prazer e poder — um modo de navegar no nosso mundo neoliberal — que acreditamos serem transferíveis para outro lugar. Também promoveram nossa crença no mundo como neoliberal; como um jogo econômico que segue certas regras. (p. 92)

Mas o software realmente “despolitiza” ou ele muda o que é a política — ou o que ela poderia ser?

A mídia digital programa tanto o futuro quanto o passado. O arquivo é o primeiro e o último registro público de propriedade privada, e é por isso que os situacionistas praticaram o détournement: para não tratá-lo como propriedade, mas como bens comuns. O poder político requer o controle do arquivo, ou melhor, da memória — tal como o Google claramente compreendeu [18]. Chun:

A presença ininterrupta das novas mídias detém o futuro como futuro ordinário. Salvar o passado supostamente permite conhecer mais facilmente o futuro. O futuro é a tecnologia, porque a tecnologia nos permite ver tendências e, então, fazer projeções — permite-nos intervir no futuro, baseando-se em programas e dados armazenados que comprimem o tempo e o espaço. (p. 97)

Aqui está o que Bogdanov reconheceria como uma metáfora básica para o nosso contemporâneo: “Pela repetição, o software é axiomático. Por princípio, abraça certa lógica de causa e efeito, um prazer causal que oculta a execução e reduz a programação a um ato de escrita” (p. 101). A mente, os genes, a cultura, a economia e até a própria metáfora podem ser compreendidas como software. O software produz a ordem a partir da ordem, fazendo-se, contudo, parte de uma episteme mais ampla:

A busca pelo software — por um programa independente que associa legislação e execução — não surgiu somente a partir do campo da computação. Em vez disso, o código enquanto logos existia e emanava de outros lugares — fazia parte de um campo epistêmico da programabilidade biopolítica. (p. 103)

De fato, é exatamente isso que o pensamento de Foucault devidamente sustentaria.

Em um desdobramento especialmente interessante, Chun argumenta que tanto a computação quanto a biologia moderna derivam da mesma episteme. Não que a biologia tenha surgido de um fascínio pelos genes enquanto código sob a influência da computação. Em vez disso, tanto a computação quanto a genética se desenvolvem a partir do mesmo ambiente conceitual. Inicialmente, a teoria cibernética não tinha, na verdade, um conceito de software. Não se encontra isso em Norbert Wiener nem em Claude Shannon [19]. O trabalho deles consistiu em tratar a informação como sinal. No primeiro, o sinal é o feedback; no segundo, o sinal é a erradicação do ruído. Como, então, as informações pensadas como código e controle se desenvolveram na cibernética e na biologia? Ora, ambas faziam parte do mesmo empenho governamental de entender o visível como controlado por um programa invisível que emana o presente do passado e medeia a relação entre as populações e os indivíduos.

Neste ponto, um texto fundamental para Chun é o de Erwin Schrödinger, O que é vida? (1944), que postula o gene como um tipo de “cristal” [20]. Schrödinger via a célula viva como regida por um tipo de governo militar ou industrial, onde cada célula seguia a mesma ordem internalizada (ou as mesmas ordens internalizadas). Isso ressoa com o conceito de Shannon de informação como entropia negativa (medida de aleatoriedade) e o de Wiener de informação como entropia positiva (medida de ordem). O texto de Schrödinger torna possível uma visão não vitalista da vida — nenhum espírito especial é invocado —, mas que poderia explicar a organização acima do nível de uma proteína, que era o patamar de complexidade que Needham e outros bioquímicos conseguiam explicar naquela época. Contudo, isso custou substituir o próprio organismo pelo “cristal” ou pela “forma”.

A partir do jovem Foucault, Chun pensa que alguns elementos-chave de certa episteme de conhecimento estão incorporados no texto de Schrödinger. O interesse de Foucault estava nas descontinuidades. Ainda assim, sua metáfora de “arqueologia” dá-nos a imagem de estratos descontínuos. Em Foucault, nunca ficou totalmente claro o que explica as “mutações” que formam os limites dessas descontinuidades. Na obra desse filósofo do conhecimento, a metáfora básica da “arqueologia” proporciona um tipo muito especial de “trabalho de campo” com os estratos geológicos dos arquivos.

Chun: “O projeto arqueológico tenta mapear o que é visível e o que é articulável” (p. 113). Pode-se indagar se a obra de Foucault foi talvez mais um exemplo do que uma crítica de certo modo de conhecimento. Foucault disse que Marx era um filósofo que nadava no século XIX como um peixe nada na água [21]. Talvez agora pudéssemos dizer que Foucault é um pensador que nadou no século XX como um torpedo nada na água. A computação, a genética e a arqueologia de Foucault dizem respeito a descontinuidades e conhecimentos discretos.

Ainda assim, Foucault tem utilidade. Chun destaca-o para revelar como há um precursor da arquitetura conceitual da computação na genética e na eugenia. A eugenia era um programa político, supostamente baseado na genética, cuja missão era aprimorar o “estoque de procriação” do animal humano. Mas os humanos provaram ser muito difíceis de programar; talvez por isso tal disposição tenha terminado na computação.

A “origem” da genética moderna é geralmente reconhecida como os experimentos redescobertos por Gregor Mendel [22]. A genética mendeliana é, em certo sentido, “digital”. As peculiaridades dos estudos dele são os pares binários. A aparência da ervilha (fenótipo) é controlada pelo código (genótipo). O conceito de gene recessivo torna a criação seletiva da eugenia bastante difícil na prática. Mas essa é uma teoria atrelada a uma herança “forte”, na qual a natureza é tudo e a criação (nurture) não importa. De tal modo, ainda pode ser usada em debates acerca dos tipos de biopoder a favor da eugenia, em vez de políticas de bem-estar social.

Curiosamente, Chun analisa o (mau) uso da genética mendeliana enquanto uma teoria eugênica precursora da cibernética. “A eugenia é baseada em uma crença fundamental a respeito do conhecimento sobre o corpo humano, na capacidade de ‘ler’ seus genes e de programar a humanidade de acordo […]. Como a cibernética, a eugenia é um meio de ‘governança’ ou de navegação na natureza” (p. 122). A noção de informação como um código-fonte já era trabalhada na genética bem antes da computação ou da biologia moderna. O controle do e pelo código como um meio de promover a vida, a agência, a comunicação e as qualidades do capital humano para agir livremente vem a ser, pois, uma ideia com longa história. Podemos questionar aqui se isso não corresponderia a certa tendência de organização do trabalho na época. O que une os sistemas maquínicos e biológicos de informação é a ideia de algum tipo de informação de arquivo a partir do qual um código-fonte articula estados futuros de um sistema. Contudo, a memória veio a ser associada ao armazenamento. O processo ativo de esquecer e lembrar transforma-se em um vasto e infindável armazenamento de dados.

Aqui está apenas a última parte revisada e limpa, sem marcas ou anotações, pronta para você copiar e colar:

Há dois pontos em que gostaria de discordar de Chun. Um tem a ver com o status ontológico da informação; o outro, com seu status político-econômico. Na leitura de Chun, compreendo que a informação acaba reduzida às máquinas que executam suas funções, as quais são então inseridas em um quadro histórico que só enxerga a governabilidade, e não uma economia política. Chun: “A informação que trafega através dos computadores não se resume a 1s e 0s; por baixo dos dígitos binários e da lógica, existe um mundo confuso e barulhento de sinais e interferências. A informação — se é que existe — é sempre corporificada, seja em uma máquina ou em um animal” (p. 139). Sim, a informação não possui autonomia nem existência a priori. Nesse sentido, Chun, Galloway e eu não somos platônicos. Porém, não penso que a informação seja redutível ao substrato material que a carrega.

A informação é um termo traiçoeiro: significa ordem, neguentropia, forma, por um lado; e algo como sinal ou comunicação, por outro. Tais significados estão relacionados, mas não são os mesmos. A maneira como eu reconstruiria a história intelectual da técnica daria ênfase à dupla produção da informação, que se constitui como conceito e como fato no design de máquinas que podem ser por ela controladas; contudo, quando compreendida como sinal, ela se transforma no meio de produção de ordem e de forma.

Seria possível ponderar sobre como a informação foi historicamente engendrada como uma realidade, do mesmo modo que a energia o fora em um momento pretérito na história das técnicas. Em ambos os casos, certas características da história natural são descobertas e repetidas na história da técnica — ou melhor, características que se tornarão, retrospectivamente, história natural. Para nós, sempre houve informação, assim como para os vitorianos sempre houve energia (mas não a informação). O não-humano entra na história humana por meio da mediação inumana de uma técnica acionada pelo trabalho.

Recuso-me a aceitar, portanto, que a informação flutue livremente e se transforme em uma espécie de nova essência teológica ou dádiva que paira na “nuvem”. Mas há uma verdade histórica na produção de um mundo onde a informação pode ter relações arbitrárias e reversíveis com a materialidade — sobretudo quando essa relação singular entre a informação e seus substratos é uma relação de controle. A informação controla outros aspects da materialidade e também controla a energia. Dos três aspectos da materialidade — matéria, energia e informação —, o último aparece agora como uma forma de controle sobre os outros dois.

Penso que vale a pena fazer uma pausa para considerar a informação não apenas como governamentalidade, mas também como mercadoria. Chun:

Se a mercadoria é, como Marx famosamente argumentou, uma “coisa sensível suprassensível”, a informação pareceria ser seu complemento: uma coisa suprassensível sensível […]. Ou seja, se a informação é uma mercadoria, isso não se deve apenas a circunstâncias históricas ou a mudanças estruturais, mas também porque as mercadorias, assim como a informação, dependem de uma abstração fantasmagórica. (p. 135)

Enquanto leitores retrospectivos de como a história natural entra na história social, talvez precisemos reler Marx do ponto de vista da informação. Ele tinha uma compreensão bastante boa da termodinâmica, tal como observou Wendling, mas a informação, da maneira como a conhecemos hoje, ainda não existia.

Até que ponto a informação é o “complemento” perdido da mercadoria? Há apenas um tipo de (proto)informação em Marx, e este se encontra no equivalente geral: o dinheiro. A materialidade de uma coisa — digamos, um “casaco” —, seu valor de uso, é duplicada por sua quantidade informacional, seu valor de troca, sendo este trocado contra o equivalente geral, ou seja, a informação como quantidade. Contudo, observe o item faltante. Antes que se possa trocar a coisa “casaco” por dinheiro, é preciso haver a informação “casaco”. O que o equivalente geral encontra no mercado não é a coisa, mas outro tipo de informação — chamemo-la de não-equivalente geral —, uma espécie compartilhada, acordada e geral de informação acerca das qualidades das coisas.

Articulando esses esboços, poder-se-ia indagar qual papel a computação desempenha na ascensão de uma economia política (ou pós-política) na qual não apenas o valor de troca domina o valor de uso, mas onde o valor de uso retrocede ainda mais, situando-se atrás do não-equivalente geral, ou seja, da informação sobre o valor de uso. Em tal mundo, o fetichismo consistiria em confundir o corpo com a informação, e não o contrário, pois é a informação que controla o corpo.

Dessa maneira, queremos pensar que os corpos importam, que as vidas importam, que as coisas importam — quando, na verdade, tudo isso serve apenas de suporte para a acumulação de informação, e para a informação como acumulação. Talvez “neoliberal” seja um termo retrógrado demais para um mundo que não se limita a libertar os corpos para que acumulem propriedade, mas que liberta a informação dos corpos, tornando a própria informação uma propriedade em si. Talvez os corpCCJos sejam agora modelados por mais de um tipo de código. E talvez não seja mais o momento de usar Foucault e Derrida para explicar a computação, mas sim de enxergá-los como efeitos colaterais da própria era da computação.

[1] Chun, W. H. Programmed Visions: Software and Memory, Cambridge, MA: MIT Press, 2011. [Nota da tradução: para a referida obra de Chun, diversas vezes citada, Wark simplifica indicando apenas a numeração da página. Seguiremos aqui da mesma maneira.]

[2] Wark, McKenzie. A Hacker Manifesto, Cambridge, MA: Harvard University Press, 2004. Ver o capítulo “Information”.

[3] Baudrillard, Jean. The Ecstasy of Communication. Los Angeles: Semiotext(e), 2012.

[4] Toscano, Alberto; Kinkle, Jeff. Cartographies of the Absolute. Winchester: Zero Books, 2015.

[5] Galloway, Alexander R; Thacker, Eugene. The Exploit: A Theory of Networks. Minneapolis: University of Minnesota Press, 2007.

[6] Coleman, Gabriella. Coding Freedom. Princeton: Princeton University Press, 2012.

[7] Wark, McKenzie. Molecular Red. London: Verso, 2015.

[8] Parikka, Jussi. A Geology of Media. Minneapolis: University of Minnesota Press, 2015.

[9] Braverman, Harry. Labor and Monopoly Capital. New York: Monthly Review Press, 1998.

[10] Ver também: Dyer-Witheford, Nick. Cyber-Marx. Urbana: Illinois University Press, 1999, pp. 2–5.

[11] Derrida, Jacques. Specters of Marx. New York: Routledge, 2006.

[12] Federici, Silvia. Caliban and the Witch. New York: Autonomedia, 2004.

[13] Mirzoeff, Nicholas. The Right to Look. Durham, NC: Duke University Press, 2011.

[14] Wark, Molecular Red, p.13 et seq.

[15] Hodges, Andrew. Alan Turing: The Enigma. Princeton, NJ: Princeton University Press, 2014.

[16] Edwards, Paul. The Closed World. Cambridge MA: MIT Press, 1997; Laurel, Brenda. Computers as Theater. Upper Saddle River, NJ: Addison Wesley, 2013.

[17] Engelbart, Douglas. “The Mother of All Demos”, 1968.

[18] Vaidhyanathan, Siva. The Googlization of Everything. Berkeley: University of California Press, 2011.

[19] Wiener, Nobert. Cybernetics. Cambridge MA: MIT Press, 1965; Shannon, Claude; Warren Weaver, Warren. The Mathematical Theory of Communication. Bloomington, IL: University of Illinois Press, 1971.

[20] Schrödinger, Erwin. What Is Life? Cambridge: Cambridge University Press, 2012.

[21] Foucault, Michel. Order of Things. New York: Vintage, 1973, pp. 261–2.

[22] Um tópico interessante. Aqui somente mencionarei o Haldane, JBS. The Causes of Evolution. Princeton NJ: Princeton University Press, 1990. Um dos textos fundadores da genética das populações, sendo o autor bastante presciente acerca das implicações do campo.

[23] Hu, Tung-Hui. A Prehistory of the Cloud. Cambridge, MA: MIT Press, 2006.

[24] Wark, McKenzie. ‘Capture All’. Avery Review, 2015, in: averyreview.com.

[25] Liu, Lydia. The Freudian Robot. Chicago: University of Chicago Press, 2011.

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