[Tradução] – McKENZIE WARK, “A CLASSE VETORIALISTA”

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A CLASSE VETORIALISTA

McKENZIE WARK

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Originalmente publicado, em duas partes, em:

E-flux Journal, issue 65, May-August, p. 1-8, 2015 [1°parte]; E-flux Journal, issue 70, February, p. 1-6, 2016 [2° parte].

Tradução: Ednei de Genaro

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McKenzie Wark - Vetorialist Class

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“Tudo o que é sólido se desmancha no ar, tudo o que é sagrado é profanado”[1]. Claro, muito da ressonância dessa frase é um artifício de tradução: “Alles Ständische und Stehende verdampft”: Tudo o que permanece se esvai em afirmações. Essa foi a frase eletrizante de Marx sobre como a forma mercadoria incendeia o mundo, vaporizando velhas formas e normas sociais, de maneira que modos de vida inteiros e suas correspondentes visões de mundo, um após o outro, se desfazem em fumaça. Tal é a grande narrativa histórica do capitalismo, como praticamente todos agora concordam em chamá-lo. Seus fanboys agora celebram até mesmo sua tocha niilista, rebatizada de disrupção.

Para os seus beneficiários, o capitalismo traz o melhor dos tempos: liberdade e prosperidade para todos — bem, talvez não para todos, mas pelo menos para aqueles mais devotados a ele. Para os excluídos por seus desígnios, traz o pior dos tempos, incinerando as formas de vida comunais e tradicionais e oferecendo em troca uma vida inteira de servidão assalariada e escravidão por dívidas. Para os seus protagonistas, o capitalismo é o melhor dos mundos possíveis e não pode ser aprimorado. Para os seus poucos antagonistas restantes, o capitalismo é o pior dos mundos possíveis, mas a última sociedade de classes remanescente, antes da derrubada final do domínio de classe para sempre. Isso agora é mais uma vontade de poder espiritual do que uma estratégia real.

Seja como for, a narrativa histórica de alguma maneira ficou presa na ideia fixa de que existe uma coisa chamada capitalismo e que somos todos peças móveis dentro dessa mesma máquina eterna. Tudo o que era sagrado é profanado — exceto o ideal do capitalismo em si mesmo. Isso se tornou algo como uma ideia fixa. Para os seus beneficiários, porque o sistema do qual se beneficiam deve ser feito parecer natural; para os seus detratores, porque a única saída que conseguem imaginar para outra vida é a partir do capitalismo. Assim, de maneira genuinamente teológica, eles insistem que, embora as aparências do capitalismo mudem, a essência permanece a mesma. Isso ainda é capitalismo? Ou é, na verdade, algo pior?

Houve um tempo em que estava na moda argumentar que o capitalismo já havia sido superado[2]. Tais teorias são agora um tanto embaraçosas. Durante a Guerra Fria, aqueles cujas máquinas de escrever datilografavam a serviço das potências capitalistas ocidentais precisavam de uma narrativa histórica para competir com aquela mobilizada pelos supostos Estados socialistas, que afirmavam ter entrado em um estágio histórico para além do capitalismo, no qual suas relações de classe seriam abolidas. Assim, os apologistas ocidentais pegaram emprestada de seus rivais a ideia de uma forma histórica além do capitalismo, que colocaria um fim ao conflito de classes. Chamaram isso de sociedade da informação, sociedade do conhecimento ou sociedade pós-industrial — qualquer coisa, na verdade, menos capitalismo.

Com o colapso dos chamados Estados socialistas, desintegraram-se as narrativas históricas que tentavam impor a existência de um estágio histórico para além do capitalismo. Praticamente todo mundo voltou a chamá-lo de capitalismo. Contudo, no final do século XX, este já não parecia o capitalismo básico e inalterado do passado, de tal modo que novas variantes adjetivadas tiveram de ser conjuradas para explicar suas estranhas aparências. Era então o capitalismo tardio, o neocapitalismo, o capitalismo neoliberal, o capitalismo pós-fordista, o capitalismo pós-moderno, o capitalismo biopolítico, o semiocapitalismo, o capitalismo cognitivo e assim por diante.

A opção de narrativa histórica menos vezes ensaiada seria a de indagar se esta sociedade continua sendo de exploração e dividida em classes — apenas não mais exatamente ou inteiramente de tipo capitalista[3]. Talvez uma boa parte dela possa ser razoavelmente descrita como capitalista, mas talvez haja alguma forma nova — se não menos exploradora — acumulando-se por cima da anterior. Afinal, fica claro nos escritos políticos de Marx que ele pensava as formações sociais como constituídas por múltiplos modos de produção, dos quais apenas um poderia ser denominado capitalista. Os outros, pensava ele, eram residuais, como os resquícios do feudalismo, ou marginais, como a produção simples de mercadorias.

Algumas variantes da teoria do capitalismo adjetivado sustentam que houve um momento decisivo no qual o capitalismo não mais governou de maneira formal esses outros modos de produção, mas, na verdade, subsumiu-os em relações de produção capitalistas propriamente ditas. Porém, eles tendem a reter o pensamento histórico nesse ponto: tudo o que é sólido se desmancha no ar — exceto o capitalismo, que continua para sempre e como sempre o mesmo. Dura para sempre porque, em tais teorias históricas, somente o proletariado pode negar o capitalismo. A história não pode ser imaginada mudando de fase de nenhuma outra maneira.

O proletariado como agente negador assumiu diferentes formas em diferentes épocas. Pôde ser o trabalhador industrial, o trabalhador de massa, a multidão da fábrica social, as massas do mundo colonial e assim por diante. Às vezes, é uma questão de alianças: dos operários e camponeses ou, mais tarde, dos operários e estudantes. Às vezes, é uma questão de agentes da esfera da reprodução, em vez da produção, tal como a agência anticapitalista feminista e queer. Às vezes, o agente da negação é fundamentado mais na dominação racial do que na exploração de classe[4]. De qualquer modo, o que tais teorias têm em comum é a ideia fixa de que o capitalismo só chega ao fim quando é negado pela força de uma agência vinda de baixo.

Para pensar isso, é preciso tomar como certo algo que para Marx era apenas uma tendência, e talvez uma tendência não realizada: a polarização de toda a formação social em somente duas classes antagônicas. É um problema bem estudado que, no lado perdedor dessa equação, a identidade de classe de forma alguma se torna esclarecida. As diferenças entre os trabalhadores não se tornam menos agudas. “Estratos médios” problemáticos obscurecem o contraste do quadro de classes. Tampouco as diferenças de raça e gênero podem ser ignoradas com um aceno de mão. O nacionalismo e a identidade religiosa persistem obstinadamente em reivindicar a lealdade dos oprimidos[5].

Mesmo entre aqueles que prestaram muita atenção às diferenças entre os oprimidos, e que se esforçaram para mapear como as mudanças no modo de produção alteram os tipos de trabalhadores que laboram nele, há pouca atenção às complexidades e mudanças entre as classes dominantes. Isso é geralmente designado apenas como capital e, na melhor das hipóteses, com dois ou três subgrupos brutos. Sim, há o capital industrial e há o capital financeiro, mas é basicamente isso.

Assim, para resumir nossas propostas heréticas para a imaginação histórica, elas são três: talvez pensar a mudança histórica seja uma questão de múltiplas classes e conflitos de classes; talvez outras classes além do capital e do trabalho possam ser pensadas como agentes motores da mudança histórica; e talvez, mesmo dentro do capitalismo, possa surgir um novo tipo de conflito de classe baseado em um novo modo de produção.

Isso pode parecer herético em relação ao Capital de Marx, que trata de forma simplificada apenas do modo de produção capitalista e suas classes binárias de capital e trabalho. Mas pode não ser uma maneira tão original de pensar adiante a partir dos escritos políticos de Marx, por exemplo, sobre a sequência de revoluções na França. Aqueles foram episódios multiclasses, nos quais uma classe burguesa ascendente mobilizava camponeses e artesãos para realizar os interesses burgueses como se fossem o interesse geral. O surgimento do movimento operário foi um longo aprendizado na revolução sob a tutela de outra classe, antes de ser capaz de articular seus próprios interesses e métodos — por mais breve que tenha sido no momento da Comuna de Paris.

A ideia de divisões entre as classes dominantes tampouco é assim tão nova. Olhando para trás, pode ser útil diferenciar uma classe capitalista de sua contraparte rural, uma classe de proprietários de terras [latifundiários]. A transformação dos antigos feudos, com seus camponeses pagando o dízimo em espécie, em várias formas de arrendamento nas quais os agricultores pagavam o aluguel em dinheiro é, em certos aspectos, um momento histórico bastante distinto do surgimento da indústria e da formação de classes capitalistas e trabalhadoras baseadas na relação salarial.

Segunda Natureza

Na obra de David Ricardo, o principal conflito de classes é, de fato, um conflito intra-classe dominante [intra-ruling-class] entre proprietário de terras e capitalista[6]. Quanto mais os proprietários de terras capturam do excedente na forma de renda, menos resta para os capitalistas capturarem na forma de lucro. Estando a terra em oferta fixa, a economia da renda se comporta de maneira bem diferente da economia do lucro. O aumento da demanda eleva as rendas, e nenhuma nova oferta de terra pode entrar no mercado para trazê-los de volta para baixo. O aumento da demanda eleva os lucros, mas o lucro é derivado da indústria, que não tem oferta fixa. O aumento dos lucros atrai concorrentes para o mercado, o que empurra os lucros de volta para as normas históricas.

A indústria é, em certo sentido, mais abstrata que a terra. Um pedaço de terra é o que é e está onde está — um topos. Uma instalação industrial é consideravelmente mais fungível e móvel. Particularmente após a ascensão dos combustíveis fósseis como fonte de energia, a indústria passa a ocorrer em um espaço topográfico bastante mais abstrato, necessitando apenas estar no ponto de cruzamento dos fluxos de energia, trabalho e matérias-primas. É neste sentido que se pode dizer que a indústria cria uma segunda natureza: um ambiente construído que não mais segue e molda os contornos e o topos da terra, mas sim os transforma em um plano topográfico abstrato.

Assim, poder-se-ia contar uma narrativa histórica sobre o passado que envolvesse não apenas múltiplas classes, e não apenas o conflito entre classes dominantes e subordinadas, mas também o conflito entre as próprias classes dominantes. E talvez haja mais. E se a tendência histórica em direção a um terreno cada vez mais abstrato de produção e exploração social não parasse na indústria? Sob quais condições se poderia dizer que existe um novo tipo de classe dominante?

Aqui pode ajudar pensar de que modo a produção industrial de mercadorias difere da produção agrária de mercadorias. Esta última já é uma espécie de abstração. Ela separa o campesinato de seus antigos direitos e obrigações em relação a uma propriedade específica. Torna equivalentes e intercambiáveis não apenas os camponeses, mas também suas terras. Eventualmente, desfaz o título hereditário do senhor sobre a terra. Pertencer à classe dominante já não é um direito hereditário. As particularidades do lugar, bem como direitos, deveres e costumes, são varridos.

Mas ainda há uma certa fixidez na produção agrária de mercadorias. A terra é a terra. Um lugar é um lugar. Um topos é um topos. Permanece uma paisagem de contornos fixos que o agricultor molda, mas não chega a transformar realmente. Fluxos de produtos agrícolas emanam dela, mas a partir de um campo bastante estável.

A indústria é diferente. Especialmente quando passam a existir fluxos de carvão, grãos e mão de obra, e os meios de ferro para transportá-los, uma topografia muito mais abstrata e maleável vem a ser. Ela projeta um novo diagrama sobre o antigo terreno. As cidades se expandem para absorver a mão de obra agora excedente do campo. Essa mão de obra é posta a trabalhar nas novas fábricas, abastecidas por ferrovias e canais com matérias-primas e alimentos vindos das colônias.

Esta é a era em que a cidade arrebata o poder político e econômico do campo, utilizando os primeiros frutos rudimentares de uma instrumentalização que logo se tornaria sistemática da própria natureza — uma tecnologia industrial. Capital e trabalho transformam o outrora sólido mundo da vida rural no mundo líquido da segunda natureza industrial.

A transição da produção feudal para a de mercadorias na agricultura pode ser principalmente uma mudança nas formas de propriedade, mas a criação da produção de mercadorias na indústria exigiu um pouco mais do que isso. Foi uma transformação não apenas das relações, mas também das forças de produção. Vale a pena notar aqui o papel que a escassez desempenhou. Com as minas operando cada vez mais fundo e as florestas tombando sob o machado, foi necessária uma aplicação considerável de engenho técnico para manter a produção funcionando. O complexo carvão-vapor-ferro surgiu da escassez de recursos naturais, mas, ao mesmo tempo, produziu uma natureza totalmente diferente[7].

Essa segunda natureza, embora em alguns aspectos constitua um terreno mais abstrato, possuía, contudo, certas vulnerabilidades que podiam ser revertidas em vantagem por uma classe trabalhadora em ascensão. O que tornava a greve uma arma eficaz era o fato de a indústria depender do fluxo constante de recursos — de carvão, de matérias-primas e de produtos acabados que corriam para o mercado. Esses fluxos podiam ser interrompidos em pontos de estrangulamento [choke points] cruciais. A segunda natureza era uma rede delgada — portos e ferrovias — de coisas grandes — minas e fábricas — e podia ser paralisada em seu elo mais fraco. O trabalho organizado alcançou suas vitórias — a jornada de oito horas, o direito de sindicalização, o sufrágio universal, o Estado de bem-estar social, inclusive a Revolução de Outubro — não tanto por meio de alguma ideologia ou forma organizacional, mas pelo uso real ou potencial desse poder de paralisar a infraestrutura da segunda natureza[8].

Se a tecnologia a partir da qual a segunda natureza foi edificada foi primeiramente industrial e depois militar, no caso da terceira natureza ocorreu o inverso. A Segunda Guerra Mundial foi a grande incubadora da tecnologia da informação, que posteriormente desempenhou um papel significativo também na Guerra Fria. Do projeto de produtos complexos ao controle de estoques e à logística de distribuição, a tecnologia da informação inicialmente viabilizou formas industriais de organização em escala ampliada.

Mas quando o sistema fordista de produção e consumo em massa encalhou no final do século XX, essa mesma tecnologia da informação forneceu os meios para contornar suas limitações. Em particular, reduziu drasticamente o poder do trabalho. O poder do trabalho consistia em interromper os fluxos — da linha de montagem, das matérias-primas, da fonte de energia. A tecnologia da informação pôde substituir o trabalho na produção e fornecer uma rede mais flexível e redundante, que permitiria ao capital industrial deslocar seus locais de produção para longe da militância sindical, ou desviar os fluxos de materiais de potenciais bloqueios. Esta é a era da automação, da desqualificação [deskilling] e da fábrica fugitiva [runaway factory] [10]. Esse foi o lado avesso das fábulas históricas da sociedade da informação como o fim da luta de classes.

A Classe Vetorialista

A derrota do trabalho teve um preço para a classe capitalista. Significava ceder parte de seu poder a um novo tipo de classe dominante — uma classe que não dependia mais da terra ou da indústria como fonte de riqueza. Seu ativo de classe era a própria informação. Se a separação da indústria em relação à terra produziu o terreno abstrato da segunda natureza, a separação da informação em relação à indústria produziu um terreno ainda mais abstrato: a terceira natureza.

O capital derrotou o trabalho. Costuma-se chamar essa época de “neoliberalismo”, mas tal termo obscurece mais do que explica. Ideias não fazem a história, e certamente não ressuscitam ou estendem velhas ideias por si mesmas. Como foi possível contornar materialmente a força do trabalho? Isso tem a ver com os poderes de um novo tipo de terreno, operando sobre um novo tipo de infraestrutura.

A segunda natureza ainda é bastante topográfica, pois a localização da indústria ainda permanece vinculada a características da paisagem, como portos naturais ou depósitos de carvão e ferro. A terceira natureza é consideravelmente mais topológica, na medida em que a densa rede de informações que recobre o território permite que a paisagem seja esticada, comprimida, dobrada e torcida em novas formas — ao menos para fins de atividade econômica. Ela se transforma em uma densa rede de coisas muito mais temporárias. O mundo líquido da segunda natureza, com seus fluxos canalizados de capital, trabalho, energia, recursos e mercadorias, efetivamente se vaporiza em um novo estado, um tanto mais gasoso.

A terceira natureza torna-se um envelope de fluxos de informação que duplica não apenas a paisagem natural, mas também a segunda natureza. Ela ainda possui alguns laços com a topografia, é claro. As velhas cidades da segunda natureza tornam-se centros de informação. Os vastos data centers que continuariam a crescer rapidamente no início do século XXI ainda exigem grandes quantidades de energia e acesso a água para resfriamento. Mas toda essa nova infraestrutura também produz um espaço topológico no qual a informação passa a controlar a movimentação e a implantação dos recursos industriais, que por sua vez comandam a extração e a implantação dos recursos naturais.

Tudo o que era sólido e depois líquido finalmente se desmancha no ar. O espaço torna-se uma topologia na qual qualquer ponto pode se conectar a qualquer outro. Uma linha de atividade econômica converte-se em um vetor, no sentido de que pode, em princípio, ser direcionada para qualquer lugar. Conecte um fornecedor de materiais a um local de processamento por meio de um vetor. Se o fornecimento se tornar errático, mova o vetor para se conectar com um fornecedor diferente. Se a mão de obra no local de processamento se tornar difícil, mova o vetor novamente, conectando o novo fornecedor a um novo local de processamento. Se a empresa capitalista que realiza o processamento exigir lucros excessivos, mude para outra[11]. Manuel Castells descreve essa transição como a passagem de um espaço de lugares para um espaço de fluxos, ou aquilo que chamo de terceira natureza.

Não é apenas o trabalho que perde seu poder no terreno da terceira natureza; o mesmo acontece com a classe capitalista. Aqui, o capital deve ser entendido no sentido específico da classe proprietária dos meios de produção. Em muitos casos, este já não é o locus do poder. O vetor pode contornar não apenas o trabalho, mas também o capital. A classe que ascende ao poder sobre o trabalho e o capital é a classe vetorialista . Ela não controla mais a terra ou a indústria, controla apenas a informação. Ela não reivindica sua parcela do excedente sob a forma de renda ou lucro, mas sim como juros [12].

A forma mais antiga da classe vetorialista são as finanças, mas no passado seu poder sempre foi relativo. A segunda natureza não oferecia suporte para o uso da informação como meio de controle absoluto. É somente com a produção de uma infraestrutura na qual a informação se descolou de seus estratos materiais — podendo ser canalizada com eficiência para qualquer lugar do planeta, armazenada a um custo insignificante e processada facilmente em padrões complexos — que a classe vetorialista assume o primeiro plano.

As finanças encontram-se agora unidas a outros tipos de controle baseados na informação: desde o controle de patentes, direitos autorais e marcas registradas até o controle de cadeias de suprimentos por meio da logística, o controle da distribuição espacial de recursos através de SIG (Sistemas de Informação Geográfica) ou, mais recentemente, o controle do acesso a informações sobre o cenário mutável de pessoas e coisas, tornando todos eles endereçáveis.

O poder da classe vetorialista reside na acumulação de juros, o que neste contexto significa não apenas o retorno financeiro do investimento em informação, mas a captura de qualquer informação excedente obtida por meio de trocas desiguais de informação. Seu poder é agora global. Baseada principalmente no mundo superdesenvolvido da Europa e dos Estados Unidos, a classe vetorial prospera extraindo informação excedente em escala global, raramente detendo a propriedade direta dos meios de produção. A fabricação real das coisas pode ser inteiramente terceirizada.

É claro que os produtores capitalistas contestam o poder vetorial, mas fazem-no principalmente tentando obter eles próprios o acesso ao controle da informação — escapando, assim, da indústria capitalista e transformando-se também em vetorialistas. Primeiro no Japão, depois na Coreia e mais tarde na China, as empresas manufatureiras tentaram adquirir o poder simbólico das marcas, as patentes de processos tecnológicos sofisticados e a eficiência de cadeias de suprimentos e do trabalho controlados por dados, a fim de se desvencilharem do fardo de possuir os meios de produção mais rotineiros.

A Classe Hacker

A classe vetorial permitiu que a classe capitalista derrotasse o trabalho, mas a classe vetorialista tem seus próprios problemas com uma classe subordinada. Seu problema não é dominar a classe que forma a natureza, ou que transforma a segunda natureza, mas a que informa a terceira natureza. Vamos chamá-los de classe hacker. A extração de juros das trocas desiguais de informação requer a produção constante de nova informação. A produção de nova informação é a tarefa da classe hacker. O fato de essa produção ocorrer dentro de uma relação de classe decorre da contenção da produção de nova informação em versões recém-elaboradas da forma da propriedade privada.

Ao longo do final do século XX, a chamada propriedade intelectual emergiu dos tradicionais direitos autorais e patentes e gradualmente tornou-se, essencialmente, um conjunto de direitos de propriedade totalmente privados. A produção de nova informação enquanto informação baseia-se em uma separação técnica do fluxo de informação de seu substrato material, de modo que, embora a informação ainda não possua existência fora de um substrato material, sua relação com esse substrato torna-se abstrata. O potencial desse desenvolvimento é então restringido e canalizado por meio de desdobramentos da forma da propriedade privada.

Mas a produção de propriedade intelectual, como a produção de qualquer coisa, requer cooperação e colaboração. A fonte de toda a produção passa pelo que é comum [commons]. Assim como o proprietário de terras em relação ao agricultor, e o capitalista em relação ao trabalhador, a classe vetorialista tem que separar a classe hacker daquilo que seus esforços compartilhados realizam.

Mais uma vez, o bem comum [commons] é cercado [enclosed] ou retido como uma esfera subordinada da qual a mercantilização extrai suas reservas. A diferença desta vez é que o bem comum é potencialmente compartilhável ao infinito. A terra ou os bens materiais podem ser escassos, mas a informação é apenas artificialmente escassa em uma era de custos de cópia e arquivamento em queda livre. Daí que um dos grandes movimentos sociais do final do século XX em diante se dedique a tornar a informação comum. A informação quer ser livre, mas está por toda parte acorrentada.

A liberdade com e da informação é a utopia da classe hacker. Vale a pena mencionar quatro estratégias para controlar a classe hacker. Em primeiro lugar, a aristocracia hacker: um pequeno quadro é encorajado a se ver não como parte de uma classe, mas como membro de uma elite. Eles são generosamente recompensados e, às vezes, compartilham uma participação na empresa vetorialista por meio de opções de ações ou bônus. Em segundo lugar, a rotinização: a própria infraestrutura vetorial é projetada para separar algumas posições especializadas de controle do trabalho de rotina, por sua vez fragmentado em partes discretas. A programação orientada a objetos, por exemplo, é projetada dessa maneira. Em terceiro lugar, o in-sourcing [internalização de trabalho gratuito]. Se o outsourcing [terceirização] transfere o emprego de um trabalhador para o exterior, para outro trabalhador, o in-sourcing atribui a tarefa do hacker a qualquer pessoa que a realize de graça. Assim, o esforço cooperativo e o bem comum da informação são tratados, eles próprios, como um recurso do qual se extrai juros. Por fim, se tudo o mais falhar, o hacker pode ser criminalizado, preso ou forçado ao exílio.

A dominação do hacker pelo vetorialista está inscrita no próprio design da infraestrutura dentro da qual a classe hacker opera. Essa dominação vai muito além da dominação superestrutural pela ideologia do capitalista sobre o trabalhador, ou da dominação pela religião do proprietário de terras sobre o agricultor. De fato, todas as classes concorrentes têm que operar dentro de uma infraestrutura cada vez mais projetada segundo as especificações da classe vetorial, que não apenas subordina a classe hacker a ela, mas também todas as outras classes.

Em suma, então, a história dos modos de produção mercantilizados pode ser pensada como passando por três estágios sobrepostos, cada um dos quais acarreta uma bifurcação em duas classes que polarizam o campo social. Em cada estágio, esse campo tem uma certa qualidade. A ascensão da indústria e a luta entre trabalhador e capitalista produzem uma topografia mais abstrata, uma segunda natureza. A ascensão da informação e a luta entre hacker e vetorialista produzem uma topologia ainda mais abstrata, uma terceira natureza. Esse espaço torna-se uma topologia global em que quase qualquer ponto pode se conectar a qualquer outro, mobilizando recursos em escala planetária.

Em cada estágio, o campo do conflito de classes pode ter uma certa polaridade entre classes dominantes e dominadas, mas todas as classes das três “naturezas” interagem, como se estivessem em um jogo de xadrez tridimensional. Em muitos casos, o principal conflito de classe pode ocorrer entre diferentes classes dominantes. A unidade das três classes dominadas também nunca pode ser garantida. Elas não são uma multidão, mas classes distintas com diferentes funções no processo produtivo.

Com esse entendimento em mãos, é possível reformular um debate um tanto confuso sobre se devemos imaginar a mudança histórica em termos de uma força que negaria o impulso implacável da mercantilização, ou melhor, que o aceleraria em direção ao seu fim. Nenhum dos dois caminhos, como veremos, oferece muito em nossos tempos para renovar a imaginação histórica.

Particularmente na tradição marxista ocidental ou hegeliana, o proletariado é concebido como uma força que supostamente nega o capital[13]. O proletariado irromperia de dentro da forma-mercadoria que o aprisiona enquanto um “outro” e, assim, realizaria sua plena subjetividade e humanidade universal. O ato particular de bloqueio que constitui a greve seria, portanto, um precursor ou um modelo liminar para se pensar o bloqueio total como um ato de vontade do proletariado enquanto sujeito revolucionário da história, erguendo-se e recusando sua própria objetificação.

Com o fracasso das revoluções do final dos anos 1960, Deleuze, Guattari, Lyotard e Negri começaram a pensar mais em termos de uma aceleração do capitalismo rumo ao seu fim[14]. Isso foi, na verdade, uma franca admissão da fraqueza do trabalho e da perda de seu poder de bloquear e paralisar — quanto mais de negar totalmente — os fluxos da vida mercantilizada. A ideia consistia, ao contrário, em levar o desenvolvimento do capitalismo ao seu limite absoluto, o que de fato parecia estar ocorrendo.

Para seus detratores, o aceleracionismo cheira excessivamente ao muito ridicularizado (embora nunca claramente explicado) outro mal de nossa época: o neoliberalismo. Soa demasiado próximo à ideologia que, em nossos termos, pertence a uma fração da classe vetorialista — aquela que afirma girar em torno do “tech” e que deseja articular, romper e, de modo geral, destruir criativamente o mundo por pura diversão e lucro. No entanto, pode-se apontar que, sob diferentes roupagens, essa ideologia também trata da negação. Ocorre que a ascendência da classe vetorialista visa a destruir os últimos vestígios de poder tanto do capital quanto do trabalho, subordinando ambos ao controle por meio da informação.

O problema é que tanto a negação quanto a aceleração são formas limitadas de imaginação histórica. A negação é uma figura que pressupõe a existência de apenas uma segunda natureza: haveria apenas o capital e sua negação pelo proletariado. A aceleração é uma figura que pressupõe existir apenas uma terceira natureza: haveria apenas a abstração para além da segunda natureza. Não se trata de uma forma de imaginação histórica que tenha compreendido o desenvolvimento de novas relações de classe neste terreno específico.

Tanto a negação quanto a aceleração negligenciam o problema dos limites impostos à transformação da natureza pela segunda e pela terceira natureza. A imaginação histórica da negação fetichiza o social, como se este não estivesse incorporado tanto na natureza quanto na técnica. A imaginação histórica da aceleração, em suas versões pioneiras, fetichiza o desejo e, em suas iterações posteriores, uma racionalidade técnica. O desejo nunca é pensado em conjunto com a necessidade; a racionalidade nunca é pensada através da forma de propriedade e, portanto, através das relações de classe em que ela se manifesta na terceira natureza.

Nenhuma das duas vertentes tinha muito a dizer sobre as vastas fendas metabólicas [metabolic rifts] que se abrem pela operação da segunda e da terceira natureza em seu substrato natural[15]. A mais conhecida delas refere-se aos fluxos moleculares de dióxido de carbono e metano na atmosfera, causados por combustíveis fósseis e pela pecuária. O desenvolvimento intensivo da segunda natureza, seguido pelo domínio de todos e quaisquer recursos do mundo que a terceira natureza viabiliza, provoca uma retroalimentação entrópica em todo o processo global de produção e reprodução[16]. De fato, a classe vetorialista agora se alimenta da própria desordem entrópica que produz. Por conseguinte, a história humana, social e técnica já não pode ser imaginada de forma independente da história natural.

Somente uma aliança de todas as classes subordinadas poderia aspirar a enfrentar esse desenvolvimento potencialmente catastrófico da terceira natureza sob o domínio da classe vetorialista. Tal aliança precisaria identificar com clareza novas vulnerabilidades, já que poucos dos antigos pontos de estrangulamento da fábrica (ou mesmo da “fábrica social” da cidade) são capazes de “descarrilar” um poder que não depende de trilhos, mas da topologia muito mais flexível do vetor de informação. Pode ter sido simbólica e poeticamente útil dizer “Ocupe Wall Street” — mas isso é consideravelmente mais difícil de realizar na prática. Como se ocupa uma abstração?

Pensar a história em termos de negação e aceleração deixa demasiadas coisas fora do quadro. São visões que não apenas negligenciam certas características-chave da terceira natureza, mas também perdem o que há de crucial em nossos tempos sobre a própria natureza. A era da terceira natureza é aquela que comanda não apenas toda a segunda natureza como um recurso, mas também toda a natureza propriamente dita. Além disso, a natureza inteira torna-se o escape, o dissipador de calor, a lixeira para todos os resíduos entrópicos de uma escala agora planetária de produção social abstrata.

E se a história não puder ser nem negada nem acelerada? Talvez a segunda e a terceira natureza tenham sido edificadas de forma tão ampla e profunda que não haja como contornar essa infraestrutura. Assim, enquanto a economia mercantil continua a avançar em seu próprio ritmo implacável, ela molda agentes de qualquer classe à sua própria imagem e os obriga a trabalhar nas formas por ela determinadas. E se até mesmo a classe vetorialista tivesse escasso poder sobre sua própria criação?

Isso equivaleria a pensar, então, na inércia da história. Jean-Paul Sartre oferece um relato brilhante disso em sua linguagem distinta, aqui transposta para o vocabulário deste texto[17]. O esforço social coletivo — primeiro na agricultura, depois na indústria e, em seguida, na informação — ergueu uma infraestrutura acima e contra si mesmo, enquadrando tais esforços contínuos em suas formas calcificadas. Tudo o que é sólido pode se dissolver no ar, mas precipita-se do estado gasoso para o estado sólido novamente como “mais do mesmo”.

A forma-mercadoria compele o trabalho a criar não apenas o produto do momento, mas uma infraestrutura duradoura que traz a forma-mercadoria embutida em si mesma. Assim, ela molda a ação por dentro e através dela, em sua própria forma, despojando o esforço coletivo de seu caráter social e roubando-lhe a capacidade de transformá-la. A ação torna-se, mesmo enquanto ação, uma forma de passividade na qual cada ato aparece separado de todos os outros, como mera ação individual para a qual só pode haver recompensas individuais.

Portanto, não há negação, pois a infraestrutura em si não oferece margem para uma ação que possa enfrentá-la mediante uma ruptura qualitativa em sua forma. E, por isso, não há aceleração, uma vez que as infraestruturas de segunda e terceira natureza determinam o ritmo em que a mudança deve acontecer e, além disso, moldam essa mudança como simplesmente mais do mesmo. A aceleração não é mais capaz de produzir uma ruptura qualitativa do que a negação.

Tal paráfrase de Sartre é tão sombria quanto o original, ainda que não se valha exatamente de sua mesma e rica linguagem. Sartre alimentava alguma esperança em um tipo de ação que fundiria as vontades individuais e as arrancaria da separação solipsista e desconexa em que se encontram. Para Sartre, trata-se do grupo em fusão [groupe en fusion] — uma ideia que reaparece de forma modificada como o momento subjetivo em Guattari ou o evento gerador de sujeito em Badiou.

Seja como for, essa linha de pensamento sobre a ação histórica ainda aposta fortemente em uma agência humana coletiva, ou mesmo em uma racionalidade pós-humana, operando por dentro e contra uma infraestrutura cuja própria forma absorve e torna inerte tal atividade. O paradoxo da terceira natureza reside, portanto, no fato de que ela efetivamente acelera e prolifera transações de tipo mercantilizado, mas sempre do mesmo tipo. A flexibilidade e a precariedade que ela gera na superfície são efeitos de uma profunda e abrangente imobilidade infraestrutural.

É aqui que a capacidade disruptiva do esforço coletivo — seja a revolta dos agricultores, a greve dos trabalhadores ou o exploit do hacker — deve ser reconhecida como uma visão limitada e unilateral da ação histórica[18]. O que nos conduz a um quarto termo, implícito como uma lacuna deixada na matriz dos outros três. Se a tentativa de negar ou acelerar a história esbarra na inércia da infraestrutura sobre a qual ela opera, então talvez não se trate de frear ou acelerar essa infraestrutura, mas de projetar outra diferente.

As infraestruturas de segunda e terceira natureza assumiram a forma da troca de mercadorias e a incorporaram a todos os aspectos da vida cotidiana. O design de algo diferente precisa buscar outro ponto de partida. Talvez a história natural das formas possa aqui socorrer a história social das formas, agora que estas se tornaram clones infindáveis e servidores de uma única forma — a de uma natureza cada vez mais abstrata.

Este é um caminho perigoso, pois é quase impossível evitar projetar de volta sobre as formas naturais os hábitos de pensamento da segunda natureza e, agora, da terceira natureza. Na era industrial, o capitalismo liberal e a máquina a vapor moldaram a imagem da natureza como um livre mercado darwiniano. Em nosso tempo, o vetorialismo neoliberal e o computador moldam uma imagem diferente da natureza, mas nem por isso menos ideológica: não se trata de substituir as imagens do mundo da produção pela própria natureza vista como uma disputa pequeno-burguesa de “genes egoístas”.

O que significaria, pois, compreender a natureza do ponto de vista não das classes dominantes, mas dos dominados? Pensar a natureza como o agricultor, o trabalhador ou o hacker a pensam, ou seja, como práticas simbióticas de transformação, respectivamente, de matéria, energia e informação? Seria possível utilizar as lutas coletivas dos três estágios da economia mercantil para criticar as visões de mundo dominantes que surgiram sobre a natureza, mas indo além delas? A tarefa da imaginação histórica é seguir em frente, procurando extrapolar a partir daquilo que se pode saber sobre as formas naturais e as possíveis morfologias para o desenho de uma nova infraestrutura[19].

Assim, as más notícias: o rolo compressor que é a terceira natureza não pode ser negado, pois sua própria forma é dedicada a contornar quaisquer pontos específicos nos quais a ação pudesse ser eficaz. Tampouco pode ser acelerado. Não há classe subordinada em posição de pressioná-lo a ir mais longe ou mais rápido do que ele já vai por conta própria. Pensar a história do ponto de vista do produto, e não dos produtores, inverte o quadro e mostra que o peso cumulativo que o esforço coletivo edificou é a pedra no caminho para a sua própria transformação.

O que nos deixa unicamente com a opção de reconfigurá-lo em tempo real. Isso exigiria uma ação colaborativa entre as classes subordinadas. As diferenças entre essas classes não podem ser eliminadas sob o rótulo genérico de multidão, nem pela imposição por decreto de algum tipo de universalismo filosófico. Significa uma abordagem voltada para a construção de coalizões que diz respeito mais a agentes econômicos do que meramente políticos, ao contrário do que ocorre na maioria das versões da democracia radical[20]. É hora de construir uma nova infraestrutura por entre as ruínas da antiga.

Notas

[1] Karl Marx e Friedrich Engels, “Manifesto of the Communist Party,” em Karl Marx, The Revolutions of 1848 (London: Verso, 2010), p. 70. Ver também: Marshall Berman, All That Is Solid Melts Into Air: The Experience of Modernity (New York: Penguin, 1988) [Tudo o que é sólido desmancha no ar: a aventura da modernidade].

[2] Richard Barbrook, Imaginary Futures: From Thinking Machines to the Global Village (London: Pluto Press, 2007).

[3] Embora esse tenha sido o caminho percorrido em meu A Hacker Manifesto (Cambridge, MA: Harvard University Press, 2004) [Um Manifesto Hacker]. Ver também: Richard Barbrook, The Class of the New (London: Mute, 2006), sobre as várias tentativas anteriores de reimaginar a classe.

[4] Ver, por exemplo: Dennis Altman, Oppression and Liberation (Brisbane: University of Queensland Press, 2012); Shulamith Firestone, The Dialectic of Sex (London: Verso, 2015) [A dialética do sexo]; Cedric Robinson, Black Marxism (Chapel Hill, NC: University of North Carolina Press, 2000) [Marxismo negro].

[5] Erik Olin Wright, Classes (London: Verso, 1998).

[6] David Ricardo, On the Principles of Political Economy and Taxation (Cambridge: Cambridge University Press, 1962) [Princípios de economia política e tributação].

[7] J. D. Bernal, Science in History, Vol. 2 (Cambridge, MA: MIT Press, 1978).

[8] Timothy Mitchell, Carbon Democracy (Brooklyn: Verso, 2013) [Democracia do carbono].

[9] Para as economias políticas de segunda e terceira natureza, ver respectivamente: Michel Aglietta, A Theory of Capitalist Regulation (London: Verso, 2001); Yann Moulier Boutang, Cognitive Capitalism (Cambridge: Polity Press, 2012) [Capitalismo cognitivo].

[10] Ver David Noble, America By Design: Science, Technology and the Rise of Corporate Capitalism (New York: Oxford University Press, 1979).

[11] Ver Manuel Castells, Communication Power (Oxford: Oxford University Press, 2013) [O poder da comunicação].

[12] Dan Schiller, How To Think About Information (Champaign-Urbana, IL: University of Illinois Press, 2010). O livro apresenta um excelente relato da luta para pôr fim ao monopólio da telefonia nos Estados Unidos no final do século XX, que interpreto aqui como uma tentativa fracassada de reduzir o poder de uma classe vetorialista em ascensão.

[13] Ver, por exemplo: Georg Lukács, History and Class Consciousness (Cambridge, MA: MIT Press, 1972) [História e consciência de classe] e Guy Debord, The Society of the Spectacle, trad. Donald Nicholson-Smith (New York: Zone Books, 1994) [A sociedade do espetáculo]. Curiosamente, este último livro constitui apenas em parte uma teoria da história como negação; seu capítulo final, sobre o détournement [desvio], aponta para outras direções.

[14] Benjamin Noys, Malign Velocities (Winchester: Zero Books, 2014); #Accelerate: The Accelerationist Reader, eds. Robin Mackay e Armen Avanessian (Falmouth: Urbanomics, 2014).

[15] Sobre a fenda metabólica, ver: John Bellamy Foster, Marx’s Ecology: Materialism and Nature (New York: Monthly Review Press, 2000) [A ecologia de Marx: materialismo e natureza]; John Bellamy Foster et al., The Ecological Rift (New York: Monthly Review Press, 2010).

[16] Ver Robert Biel, The Entropy of Capitalism (Chicago: Haymarket Books, 2013).

[17] Jean-Paul Sartre, Critique of Dialectical Reason, Vol. 1 (London: Verso, 2004) [Crítica da razão dialética].

[18] Sobre as formas pré-capitalistas de revolta, ver Eric Hobsbawm, Primitive Rebels (Londres: Norton, 1965) [Rebeldes primitivos]. Sobre as formas de revolta da classe hacker, ver Alex Galloway e Eugene Thacker, The Exploit (Minneapolis: Minnesota University Press, 2007) e Gabriella Coleman, Hacker, Hoaxer, Whistleblower, Spy (Brooklyn: Verso, 2014) [Hacker, hoaxer, whistleblower, spy: os muitos rostos do Anonymous].

[19] Tomo de empréstimo o conceito de extrapolação de Joseph Needham, Time: The Refreshing River (London: Allen & Unwin, 1948).

[20] Para um balanço clássico sobre a democracia radical, ver Ernesto Laclau e Chantal Mouffe, Hegemony and Socialist Strategy (London: Verso, 2014) [Hegemonia e estratégia socialista].

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